Parceria entre Osusp e CAC apresenta orquestra a crianças através de concertos didáticos

Crianças e música erudita, combinação incomum. Um público infantil sentado, em silêncio, num anfiteatro para escutar uma orquestra tocar parece utopia. Mas não é uma realidade tão distante assim. Isso é o que mostra o sucesso do projeto Dominó Sinfônico, uma parceria da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) com departamentos da ECA. 

A inspiração veio do projeto de concertos didáticos já realizados na Sala São Paulo. Eles funcionam como uma contrapartida para as orquestras que alugam a sala de concertos. Ou seja, em troca do uso do espaço, esses grupos musicais precisam realizar projetos didáticos para as escolas parceiras da Sala SP. 

“Há um programa para escolas em que eles dão a infraestrutura para escolas virem, dão curso, preparam as escolas para acolhê-las na Sala e assistir ao concerto de todas as orquestras que utilizam o espaço”, explica Sandra Alonso, assistente de direção da Osusp. A necessidade de trazer a iniciativa para a USP resultou, então, no Dominó Sinfônico, que começou a atuar em 2018. 

A ideia de fazer um projeto didático com intervenção teatral permite que as crianças entendam melhor o que está por trás de uma orquestra. Assim, ao mesmo tempo em que escutam as músicas, há também uma explicação verbal e lúdica, realizada por alunos do Departamento de Artes Cênicas (CAC). Atualmente, o enredo teatral é feito para crianças na faixa etária de seis a dez anos. 

Foto: Renata Biagioni Wrobleski

A ponte com a ECA foi feita por Sandra, que trabalhou na Escola por 27 anos antes de ir para a Osusp. Em abril de 2018, o piloto – já com participação teatral – foi apresentado aos alunos dos projetos Girassol e Circo Escola, que fazem parte do Aproxima Ação, iniciativa da Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária responsável por realizar ações com a comunidade São Remo. 

Em outubro do mesmo ano, foi realizada a segunda edição, já aberto para escolas no entorno da USP, tanto das redes municipais e estaduais, como instituições privadas e também ONG’s. A terceira edição aconteceu no dia 23 de maio deste ano.

Participação das escolas

Organizar a logística de trazer alunos para o anfiteatro da Osusp, localizado no Centro de Difusão Internacional, não é fácil. Por isso, o Dominó Sinfônico estabeleceu uma parceria com alunos de Relações Públicas para que pudessem ajudar na dinâmica do evento. 

Os critérios para participação das escolas envolvem as inscrições por ordem de chegada e a disponibilidade do auditório. Na última edição, dado o grande número de alunos, foi preciso ocupar também o mezanino. Outro fator importante é também a disposição dos professores de passarem pelo treinamento, que consiste em indicações de como preparar os alunos.

“A gente viu que era realmente necessário fazer uma reunião com representantes de cada escola antes do evento para eles receberem todas as orientações e também conhecer a proposta e os objetivos para repassar para os outros professores”, explica Sandra.

O treinamento vai desde questões mais práticas, por exemplo, a postura a ser adotada no anfiteatro, até propósitos mais educativos, de mostrar para as crianças a importância da experiência. “Fez toda a diferença. A gente teve um feedback dos professores muito legal”, diz Mayra Moraes, vice-coordenadora da Osusp. 

A própria experiência de estar na Cidade Universitária, na USP, já é estonteante para as crianças. As famílias ficam orgulhosas, relata Mayra. “Todo o formato é pensado em ser uma experiência muito grande para as crianças. É diferente da gente ir e tocar na casa deles”, comenta. 

Depois do concerto, os alunos produzem textos e ilustrações sobre o que viram. Algumas dessas manifestações artísticas podem ser vistas abaixo:

Fotos: Maria Eduarda Nogueira

Perspectivas para o futuro

O Dominó Sinfônico está crescendo cada vez mais. Prova disso é que a Secretaria de Educação de Cotia já procurou as coordenadoras para poder trazer também as crianças da rede municipal para assistirem ao concerto. 

A próxima edição do concerto acontece em outubro. E as expectativas são boas. “A gente fica feliz quando está fazendo o didático”, diz Mayra. 

 

Texto: Maria Eduarda Nogueira
Imagem de capa:
Renata Biagioni Wrobleski