A passagem de Maria Alice Vergueiro pela ECA

Em nota, Departamento de Artes Cênicas (CAC) celebra a carreira da atriz e lembra suas contribuições para os estudos de licenciatura

 

Morreu nesta quarta-feira, dia 3 de junho, a atriz e diretora de teatro Maria Alice Vergueiro, aos 85 anos. Conhecida do grande público por seus trabalhos na televisão e pelo vídeo Tapa na Pantera, a artista teve contribuição fundamental para o curso de Artes Cênicas e para a introdução dos estudos de licenciatura nesta área no início da década de 1970.

Em nota, o Departamento de Artes Cênicas (CAC) relembra a passagem da atriz pela ECA:

"O Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP alia-se a toda comunidade artística e cultural de São Paulo e do Brasil na consternação pela morte de Maria Alice Vergueiro, atriz e artista de primeira grandeza, no dia de hoje, 3 de junho de 2020.
Para além do reconhecimento público do trabalho dessa extraordinária intérprete, nas histórias do teatro e da performance brasileiras ao longo dos últimos sessenta anos, cabe-nos recordar a sua impactante e transformadora passagem pela Escola de Comunicações e Artes no início dos anos 1970.  Ingressa como professora no setor de Teatro do antigo CTR (Cinema, Teatro, Rádio e Televisão) no início dos anos 1970, quando o curso de Comunicações e Artes, em sua primeira fase, ainda era integrado, Maria Alice praticamente introduziu os alunos de teatro da ECA nos estudos de licenciatura com a disciplina 'Teatro Aplicado à Educação'. Algumas de suas alunas na época, Ingrid Koudela e Maria Lúcia Pupo, tornaram-se depois professoras da área de licenciatura do Departamento de Artes Cênicas e pesquisadoras referenciais no país, atuando no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da USP neste campo desbravado por Maria Alice. Seu maior feito enquanto professora universitária foi, contudo, estimular oficinas criativas em que, como uma atriz formada nos anos 1960 no Teatro Oficina, engajava-se plenamente, ao lado dos alunos, nos processos de criação. Infelizmente, a universidade não estava preparada à época para práticas pedagógicas tão avançadas, e essas experiências, que antecipavam perspectivas contemporâneas no ensino da arte, foram repelidas e Maria Alice teve que se desligar da ECA em 1974. Mas aquelas iniciativas revolucionárias acabaram aproximando a atriz de dois de seus ex-alunos, Luiz Roberto Galizia (1953-1984) e Cacá Rosset, com quem vai fundar em 1977 o grupo Ornitorrinco, com um primeiro e antológico espetáculo chamado Os Mais Fortes, que reuniu  três peças curtas de August Strindberg (1849-1912) e foi apresentado no porão do teatro Oficina. Naquele momento, José Celso Martinez Correa estava no exílio e seu irmão, Luiz Antônio, tomava conta do teatro. A encenação foi um marco na retomada do teatro experimental no país, depois do AI5 e do endurecimento do regime militar, e deu continuidade, nas décadas seguintes e até recentemente, à gloriosa carreira da atriz, sempre associada a jovens e inquietos artistas, e participando de projetos estéticos inovadores e radicais."

Departamento de Artes Cênicas

Escola de Comunicações e Artes da USP

 

Atriz foi tema de TCC no curso de jornalismo

Pela Desordem Natural das Coisas (2012) é o título do trabalho de conclusão de curso (TCC) da ex-aluna Maria Clara Matos sobre a atriz Maria Alice Vergueiro. O documentário foi orientado pelo professor Renato Levi Pahim, docente do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) e conta com participaçções de Antonio Abujamra, Cacá Rosset, José Celso Martinez Corrêa,  Luciano Chirolli, Luiz Galízia e Pascoal da Conceição.