Política carcerária é tema de novo espetáculo da Escola de Arte Dramática

No dia 25 de outubro, quarta-feira, às 20h30, estreia a peça Inútil canto e inútil pranto pelos anjos caídos, apresentada pelos alunos do último ano da Escola de Arte Dramática (EAD). O espetáculo é dirigido por Rogério Tarifa e foi desenvolvido a partir de diversos questionamentos como, por exemplo, Quando os seres humanos vão concretizar na sociedade conceitos tão caros como Liberdade, Igualdade, Justiça e Democracia?, sobre os quais os alunos se dedicaram para a criação do espetáculo.

A peça se baseia em um conto do escritor Plínio Marcos que se passa nos anos 70 e relata uma rebelião de presos que viviam em condições sub-humanas. Ao final, os detentos que aguardavam o julgamento, depois de se rebelarem por melhores condições colocando fogo em colchões, acabam morrendo queimados violentamente. Além do conto, os textos Barrela e Mancha Roxa, também de Plínio, entraram na peça para colaborar no debate acerca dos cárceres masculino e feminino.

O ato-espetáculo musical pretende denunciar as péssimas e complexas condições das prisões brasileiras, bem como a política de encarceramento em massa que vem atingindo a população menos desfavorecida socialmente. Rogério conta que já tinha o desejo de trabalhar com essa temática faz algum tempo, e, no começo do ano, com as rebeliões e mortes em penitenciárias ao redor do país, a ideia de falar sobre o tema voltou e ele considerou importante trabalhar com a questão da política carcerária. “O nosso canto é para que essa situação mude no Brasil e para que possamos debater e refletir sobre esse assunto quase sempre deixado de lado”, pontua. Este é o segundo trabalho de direção de Tarifa na EAD, conhecido por seus trabalhos na Cia do Tijolo e na Cia São Jorge de Variedades. A primeira foi Canto para Rinocerontes e Homens, que ganhou o prêmio Aplauso Brasil de melhor espetáculo de grupo e deu origem à Cia Teatro do Osso. 

A montagem tem direção musical de William Guedes e composições de Jonathan Silva, responsáveis por transformar, de forma integral, o conto de Plínio sobre rebelião em Osasco em uma canção que será cantada em coro pelos 19 atores em cena. A apresentação ainda contará com a presença da cantora Ndu Siba, sul-africana e ex-detenta da Penitenciária Feminina da Capital, que integra o elenco como convidada especial.

A peça fica em cartaz até 5 de novembro e as apresentações ocorrerão de quarta a sábado, às 20h30 e domingo, às 20h na sala Alfredo Mesquita do Teatro Laboratório da ECA. O teatro tem capacidade de 100 lugares e os ingressos serão disponibilizados uma hora antes do início do espetáculo. A entrada é gratuita.

Texto: Beatriz Gomes Furtunato