Prêmio Vladimir Herzog divulga vencedores; professores da ECA fazem parte do júri

Cerimônia de premiação acontece hoje, no Tucarena, às 20h, antecedida por roda de conversa com os jornalistas vencedores 

 

Reconhecer trabalhos jornalísticos que valorizam os Direitos Humanos, além de manter viva a memória da luta pela Democracia. Esse é o objetivo do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, criado em 1979 e que neste ano chega à 41ª edição. 

A solenidade de premiação acontece no dia 24 de outubro, quinta-feira, às 20h, no Tucarena, precedida de roda de conversa com os jornalistas premiados. Das 14h às 18h, o público terá a oportunidade de trocar informações com os profissionais sobre o planejamento e execução das reportagens. 

Foram inscritos 692 trabalhos de todo o país para concorrer nas seis categorias: Texto, Áudio, Vídeo, Multimídia, Fotografia e Arte (esta última abrangendo ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos). Dividido em duas etapas, o julgamento começou com a fase de seleção, que contou com 33 jurados representando quase todos os estados brasileiros. Na segunda fase, a de premiação, os trabalhos selecionados são avaliados por um júri composto por dirigentes e representantes das 14 entidades organizadoras do prêmio. 

A ECA teve dois membros no júri: o professor Ricardo Alexino Ferreira, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) e a professora Roseli Fígaro, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA). Alexino participou das duas fases do prêmio e assumiu este ano como representante titular da ECA, substituindo o professor Vitor Blotta, também do CJE. Já Roseli participou da etapa de premiação representando a Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM). 

Os docentes e os demais membros do júri definiram os prêmios e menções honrosas para cada categoria em uma sessão pública realizada no dia 11 de outubro na Câmara Municipal de São Paulo e transmitida pela internet. Para Roseli Fígaro, “merece destaque a transparência do processo com a ampla participação de entidades da luta pelos direitos humanos e outras de defesa do jornalismo e do jornalista.”

Os trabalhos vencedores, segundo Alexino, “apresentaram grande preocupação social e ampliaram o conceito de Direitos Humanos também para questões ambientais e qualidade de vida, além dos direitos fundamentais.” De perfil diversificado, os ganhadores vão de veículos grandes a outros menos conhecidos, além de sites e uma TV pública. ”A premiação privilegia a qualidade da produção jornalística. Veículos menores têm se destacado, mostrando que aqueles que têm mais recursos podem fazer mais para/pelo jornalismo”, comenta Roseli.

 

Prêmios Especiais

Além da premiação nas seis categorias, foram concedidos três prêmios especiais. O jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil, foi premiado pelo trabalho de investigação na série sobre os vazamentos de mensagens da Operação Lava-Jato. 

Patrícia Campos Mello, autora de reportagem da Folha de São Paulo sobre crimes eleitorais cometidos na campanha de Jair Bolsonaro, recebeu o prêmio pelo trabalho jornalístico e pela resistência diante das represálias e ameaças que sofreu após a publicação da matéria. 

Jornalista e militante político preso durante a ditadura do Estado Novo, Hermínio Sacchetta foi homenageado com um prêmio especial póstumo. Sua trajetória, que inclui passagens pelos jornais Correio Paulistano, Folha de São Paulo e A Classe Operária, representa o encontro entre o jornalismo e a luta pelas liberdades democráticas. 

Para Roseli Fígaro, os prêmios especiais “são homenagens que destacam a trajetória histórica e de mais jovens em defesa do jornalismo de qualidade para os direitos humanos”. Na opinião de Ricardo Alexino, o Prêmio Vladimir Herzog vai além do reconhecimento da qualidade profissional dos jornalistas: “a premiação é uma forma de passar uma mensagem político-sócio-cultural para a sociedade sobre os direitos fundamentais e da cidadania."       

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