Projeto da ECA sobre alfabetização midiática é aprovado em edital de empreendedorismo social

Entender a mídia deixou de ser um conhecimento facultativo. Mas ainda é um privilégio de poucos. Foi pensando em quebrar essas barreiras e expandir a alfabetização midiática que a professora Mônica Rodrigues Nunes, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), resolveu aplicar seu projeto Alfabetização midiática e produção audiovisual na escola pública:  ensinar crianças e jovens a interpretar e a produzir informação no edital de empreendedorismo social da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. 

A iniciativa é baseada em um princípio da UNESCO, que define a alfabetização midiática como “direito humano básico em um mundo digital e que promove a inclusão social em todas as nações”. O objetivo é capacitar alunos e professores para avaliarem as imagens que os rodeiam diariamente, e também ensiná-los mais sobre produção audiovisual. 

Inicialmente, o projeto terá enfoque em alunos do ensino fundamental II de escolas públicas. Isso porque essa faixa etária tem bastante contato com a mídia, principalmente no formato audiovisual. O Youtube é hoje uma das principais redes sociais em meio aos jovens. A docente do CJE conta que levou isso em consideração: “Por que eu uso o vídeo como uma ferramenta? As crianças gostam muito de vídeo e a maior parte delas quer ser youtuber.”

Mas o Youtube tem seus defeitos. A grande quantidade de conteúdo, muitas vezes inadequado para crianças, pode ser uma armadilha. Mesmo com o controle dos pais, ainda há muitas brechas para que as crianças naveguem livremente pelo site. Esse é um dos motivos pelos quais a alfabetização midiática se faz tão importante. “As crianças precisam aprender e entender o que é a produção audiovisual para filtrarem aquilo que é bom para elas e aquilo que não é”, diz a coordenadora do projeto. 


Crianças e mães na Escola de Apliação da USP. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Unindo prática e teoria, os membros pretendem criar uma WEBTV, no qual serão postados os vídeos produzidos pelos participantes. “Ao final do curso, a gente espera que os alunos não só saibam produzir vídeos, mas que eles também saibam entender de que modo se dá a produção audiovisual. E a partir daí, sejam mais críticos em relação ao conteúdo que recebem”, comenta Mônica.

O projeto será desenvolvido na Escola de Aplicação (EA) de julho deste ano até julho de 2021. Com dois anos de implementação, é esperado que a ideia da alfabetização midiática por meio da aprendizagem do vídeo possa se expandir para outras escolas. “A gente tem um processo que é de formar alunos e professores da EA para que depois eles sejam replicadores desse projeto”.

Além disso, a disseminação da iniciativa no meio acadêmico também é esperada. A produção de textos científicos e a participação em seminários e congressos são algumas das ações a serem feitas pelo grupo para que a ideia se espalhe não só pela USP, mas por outras regiões do Brasil. “O esperado é que cada membro tenha pelo menos um texto de referência sobre a sua área de atuação específica ao final do projeto”, diz Mônica. 

Para a coordenadora, a presença de profissionais tão especializados como os docentes da USP é um dos fatores que potencializa o sucesso da iniciativa. A complementaridade de diferentes áreas também é uma das vantagens. Dentre os membros, há docentes da ECA – professores Wagner Souza e Silva, Vitor Blotta e Daniela Osvald Ramos –, da Faculdade de Educação, da Escola de Aplicação e também alunos de graduação e pós-graduação. 

Com o crescimento das fake news, é preciso que os jovens, vozes da nova geração, entendam a mídia e seus significados. “O mais importante desse projeto é possibilitar a inclusão social de pessoas que dificilmente teriam acesso a esse tipo de conteúdo especializado no mundo digital em que vivemos. Quem sabe avaliar aquilo que está recebendo, é uma pessoa que recebe um direito humano. Ela deixa de ser enganada”, conclui a professora Mônica Rodrigues Nunes. 

Texto: Maria Eduarda Nogueira
Foto de capa: Eduardo Knapp/Folhapress