Projeto do CMU promove recitais em escolas e incentiva jovens a estudarem música

Em preto e branco é um projeto de extensão do Laboratório de Piano (LAP) do Departamento de Música (CMU) da ECA que consiste na realização de recitais de alunos do curso de graduação em música, com habilitação em piano, seguidos de uma conversa entre os estudantes, os professores coordenadores do LAP, Luciana Sayure e Eduardo Monteiro, e a plateia. Esses encontros acontecem seis vezes ao ano em escolas de música do estado de São Paulo.

O propósito do projeto, que está em sua terceira edição, é levar a conhecimento dos estudantes de piano o curso de graduação oferecido pela USP. “A gente percebe que é importante que os alunos conheçam e tenham a perspectiva que eles podem entrar na USP”, afirma o professor Eduardo Monteiro. “Há uma rede de formação pública de música e é importante que a gente vá a esses lugares para que eles conheçam o nosso trabalho.”

Nesta semana, foi a vez da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP) Tom Jobim receber uma sessão do projeto. Durante o evento, muitos pais de alunos que pretendem se candidatar a uma vaga no curso de música tiraram suas dúvidas a respeito do mercado de trabalho e do ingresso na Universidade, quais peças os vestibulandos devem tocar e como é calculada a nota dos candidatos, por exemplo.


Aluno do CMU, Gabriel Brandão se apresenta durante evento do projeto Em preto e branco

Pedro Brack, aluno do CMU, deu seu depoimento a respeito da escolha do curso. “Quando eu terminei o ensino médio, eu já queria prestar música, mas não prestei porque é uma carreira difícil”. Por dois anos, Pedro cursou matemática. Foi quando ele percebeu que passava mais tempo estudando piano do que matemática e decidiu mudar de curso. “Não adianta você gastar a sua vida fazendo uma coisa que você não quer”, disse aos alunos da EMESP.

O estudante, hoje no quarto ano do curso de música, também comentou que uma das coisas que o fez desistir da matemática foi um projeto em particular, a primeira edição da Oficina de Piano. “Assisti a várias aulas e passei a acreditar que era uma carreira viável, uma carreira que eu podia seguir, e isso também contribuiu para que eu mudasse de curso.”

Lucca Verdi, de 16 anos, está no terceiro ano do ensino médio e quer ingressar no curso de música. Ele conta que, logo que tomou a decisão, não foi apoiado pelos familiares: “o meu pai quis ser músico, mas meus avós sempre foram chatos com isso. E quando eu decidi fazer música não foi muito aceito de primeira.”

Lucca acredita que participar de concursos de piano e ganhar alguns deles, além de tocar na III Oficina de Piano USP, contribuíram para que seus pais aceitassem a sua decisão de fazer o curso de graduação em música.


Luciana Sayure tira dúvidas a respeito do vestibular para o curso de música e o mercado de trabalho

Além de incentivar os alunos a escolherem o curso que gostam, a professora Luciana Sayure comentou outro importante fator do projeto: “para quem vai fazer música, é bom que tenha esse contato e já comece a se preparar antes. É diferente de quem vai fazer medicina e vai aprender a área de conhecimento durante o curso. Em música, você já tem que saber antes.”

Um dos motivos para isso é a prova de habilidades específicas, que, atualmente, corresponde a 33% da nota final do candidato no vestibular. Eduardo acredita que esta prova é responsável pelo perfil diferente do departamento. “A gente já chegou a ter 62% do curso preenchido por alunos de escola pública”, conta Sayure, “porque o nosso aluno, às vezes, vem de projetos sociais ou de escolas gratuitas.”

A professora também falou sobre a importância de estudar um instrumento: “tenho um filho que estuda música porque eu sei que isso vai ser importante para qualquer área em que ele for atuar”. Ela explica que estudar música exige paciência, investimento e ensina a lidar com sentimentos como superação e frustração. “Acho fantástico em termos de formação, inclusive pelo estímulo à criatividade e pela disciplina.”

Texto e fotos: Mirella Cordeiro