Rainha dos romances policiais, Agatha Christie publicou primeiro livro há 100 anos

Professor do CJE comenta centenário de estreia da escritora em artigo para o Jornal da USP

 

Aos 30 anos de idade, em 1920, Agatha Christie fazia sua estreia no mundo editorial com o livro O Misterioso Caso de Styles. A chamada rainha do crime escreveu dezenas de outros romances policiais e ficou consagrada como uma das escritoras mais célebres do gênero. Seus romances vendem mais do que a Bíblia e permanecem cativantes ao público, mesmo um século depois da primeira publicação. 

Em artigo para o Jornal da USP, o professor do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) Jean Pierre Chauvin comenta os 100 anos da estreia de Christie.  "Desde seu primeiro romance policial, Agatha Christie tornou-se célebre não só pelos enredos engenhosos, mas também devido aos expedientes de que se valeu para traçar figuras tão caricatas quanto complexas."

Em seu primeiro livro, a autora apresenta ao leitor dois personagens que atravessarão toda sua obra e farão parte do imaginário popular: o detetive belga Hercule Poirot e seu auxiliar, o capitão Arthur Hastings. A relação entre os dois lembra aquela de Sherlock Holmes e John Watson, criações de Arthur Conan Doyle. 

Para o docente, que ministra uma disciplina na ECA especializada em Agatha Christie, a caracterização extremamente bem feita dos personagens, tanto no nível físico, emocional e psicológico, ajuda a explicar o sucesso dos livros. O leitor se identifica e se prende à uma narrativa tão verossímil quanto surpreendente. 

Além dos personagens bem construídos, o romance do caso de Styles vem recheado de outras marcas registradas da ficção christiana: casarões, heranças disputadas, mágoas familiares, assassinatos por envenenamento. E, como de praxe, um mistério cuja resolução sempre quebra a expectativa do leitor. Raros são aqueles que acertam o assassino nas histórias da rainha do crime, a não ser por sorte na adivinhação. 

As diferentes versões e relatos dos personagens contribuem para essa impossibilidade de desvendar o mistério. "Entre simulações e dissimulações, o relato de diferentes narradores e personagens tanto pode reforçar as suspeitas, quanto desviar a atenção do leitor – por mais que ele esteja imbuído de sanha detetivesca e disponha, em tese, de um elevado poder de dedução", destaca Chauvin. 

Conheça mais a obra de Agatha Christie lendo, além de seu romance de estreia, clássicos como O assassinato de Roger Ackroyd, Poirot perde uma cliente, E não sobrou nenhum e Assassinato no Expresso Oriente.

Foto: Agência France Presse (AFP)