Raul Mourão e mais oito artistas abrem exposições no Espaço das Artes

No próximo dia 30 de outubro, segunda-feira, a partir das 19h30, o EdA – Espaço das Artes inaugura nove exposições individuais simultâneas, sob o título geral de Para Lá e Após. O artista convidado Raul Mourão apresenta a sua exposição ao lado de mostras individuais de Mariana Chama, Isis Gasparini, Angélica Del Nery, Priscila Guerra, Fabíola Salles Mariano, Arturo Gamero, Cleber Alexsander e Diogo de Moraes, que exibem trabalhos em técnicas diversas (instalação, fotografia, pintura, escultura, entre outros) desenvolvidos com base em pesquisas recentes de pós-graduação. A realização simultânea das exposições é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da ECA, com o apoio do Departamento de Artes Plásticas. A visitação é de segunda a sexta, das 10h às 20h, com entrada franca e classificação etária livre. O EdA – Espaço das Artes está localizado na rua da Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária (antiga sede do MAC-USP).

Em Pra lá, o artista convidado Raul Mourão reúne os trabalhos Setas, feitos em pintura diretamente nas paredes do espaço expositivo a partir da apropriação de signos de sinalização urbana, e Murundum, instalação que desenvolve uma das séries mais importantes na produção do artista. Nas palavras de Paulo Herkenhoff, as estruturas dessa série “deslocam a malha cubista para a experiência de poder e a lógica da arquitetura vernacular da classe média, incluindo seus mecanismos de proteção do capital, símbolos de status, instrumentos de trabalho e aparelhos domésticos contra o roubo e o vandalismo”. Mira #1, uma escultura cinética de grande formato em aço corten posicionada em frente à fachada principal do edifício, completa o conjunto de obras de Mourão expostas no EdA, nas quais articulam-se – como de modo geral na produção do artista – geometria, eloquência e humor, conforme destaca o crítico e curador Luiz Camilo Osório: “a geometria implica um compromisso com a simplicidade estrutural. A eloquência aponta para uma presença sempre muito direta e imediata da forma. O humor é o tempero que deixa atravessar um sopro de inteligência, quebrando a austeridade da geometria e impedindo a facilitação comunicativa”.


Mira #1, 2017, escultura em aço corten, de Raul Mourão

Raul Mourão nasceu no Rio de Janeiro e vive entre esta cidade e Nova York. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e expõe seu trabalho desde 1991. Sua produção abrange desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, textos, instalações e performances, com obras em coleções públicas e privadas do Brasil e do exterior. In my opinion (Plutschow Gallery, Zurique, 2017), Você está aqui (Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo, 2016), Fenestra (Lurixs Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2015) e Moto (Galeria Nara Roesler, São Paulo, 2014) são algumas de suas exposições individuais mais recentes.

Mariana Chama exibe A Mulher na Janela e a Chuva e Mágico, dois ensaios fotográficos desenvolvidos para publicação em livro, que têm suas sequências originais reelaboradas e distribuídas em duas áreas distintas do EdA em função das características dos espaços expositivos. Ambas as séries mesclam fotografia analógica e digital, em cor e p&b, incorporando também imagens do acervo pessoal da artista, como na primeira série, em que o trabalho partiu da recorrência nesse acervo de fotos de figuras femininas contidas em estruturas geométricas. Na outra sequência, Mágico, os elementos da linguagem fotográfica em cores procuram traduzir em termos visuais as características sensórias do assunto em foco.

Mariana Chama é formada em Artes Plásticas pela ECA, onde desenvolve pesquisa de mestrado em Poéticas Visuais. Participou de mostras coletivas como As Potências da Arte (Centro Maria Antonia, São Paulo, 2003) e Em Trânsito (Galeria Olido, São Paulo, 2005). Em 2006, apresentou a individual Ensaio de Circo (2006), no Centro Maria Antonia.

Silêncio Invertebrado é a instalação de Arturo Gamero nal qual se integram peças em escultura, objetos, desenhos e gravuras, tendo como questão de fundo uma noção ampliada de autorretrato, a partir de perguntas como O que é o olhar? e O que me impede de ser aquilo que observo? Na origem do projeto de Gamero, está um diálogo dos elementos propriamente visuais com regimes variados de escrita que paralelamente nortearam a pesquisa do artista, descrevendo paisagens, estados mentais, sensações, sonhos.

Arturo Gamero formou-se em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP em 2011. Desenvolveu pesquisa de mestrado em Poéticas Visuais na ECA, sob a orientação de Claudio Mubarac. Entre 2011 e 2013, atuou como artista formador na SP Escola de Teatro. Publicou o livro Favos (Ed. Lumme, 2013) e realizou sua primeira exposição individual, intitulada Primeiro ato (2017), na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.


Quando a cabeça se choca contra o chão, 2017, instalação com materiais diversos, de Arturo Gamero
 

A instalação Sala de Vir Cinema, de Angélica Del Nery indaga sobre a capacidade de transformação de um ser em diferentes meios expressivos, com a problematização do estatuto da imagem na passagem de um meio a outro, em seis variações realizadas a partir da apropriação de um rolo de filme 35mm, desconhecido, comprado pela internet. Numa das variações, a película cinematográfica aberta e inerte é registrada em fotografia e transfigurada numa impressão em tecido, como um véu. Seu corpo autopsiado, medido e analisado, dá origem a um gráfico de tempo, espaço e fotogramas. Do total de suas imagens, foram extraídas seis fotografias e com as legendas do filme foi construído um jogo de tabuleiro. A partir de um fotograma escolhido, inventa-se um vídeo. Finalmente, aberto no espaço, com seis caixas de luz, o próprio filme compõe a instalação, em associação com os outros experimentos.

Angélica Del Nery é artista visual. Dirigiu os documentários Urucuia (1998); Livro para Manuelzão (2003 ); Turista Aprendiz (2005) e Exercício do Olhar (2007). Fotografou os livros Brasil da Sanfona (2003), Violões do Brasil (2004), Violeiros do Brasil (2008). Graduada em Direito pela USP e pós-graduada em fotografia pela FAAP, atualmente finaliza pesquisa de mestrado em Artes Visuais na ECA.

Isis Gasparini apresenta Vértices/Vetores, instalação que lida com o olhar e os fluxos do corpo do espectador comumente orientado pelo dispositivo museológico ao visitar exposições. O trabalho é constituído de três momentos: (1) um gabinete que abre aos visitantes um arquivo pessoal de anotações, registros e outros materiais coletados em torno do museu; (2) um ambiente que tem a luz como matéria-prima de construção, convidando o público a se mover à medida que aciona fachos luminosos com sua presença, construindo percursos como uma espécie de coreografia nesse espaço; (3) uma combinação de experimentos com som e imagem no espaço expositivo, que tanto se coloca a serviço da visibilidade da obra quanto oferece elementos de sua própria arquitetura à contemplação.

Isis Gasparini é artista visual, bailarina e educadora. Pesquisa as relações entre corpo, espectador e obra de arte. Graduada em Artes Plásticas e pós-graduada em Fotografia pela FAAP, participou dos programas de residência artística 7th CCL (Belo Horizonte, 2016) e Cité des Arts (Paris, 2014).

Fabíola Salles Mariano apresenta no EdA Ibirapitanga: rastros e impressões, que lida com o histórico dos usos do corante do pau-brasil (ou ibirapitanga, para os indígenas), herança cultural de povos antigos e seu gosto pelo púrpura e pelo carmim. A árvore foi explorada de modo conflituoso no território brasileiro, a partir do “encontro”, não só com o material, mas de populações culturalmente muito diversas, desde que os europeus do século XVI fizeram as primeiras viagens para a América do Sul. Com base nesse histórico, a exposição apresenta pinturas, desenhos e gravuras, trabalhando algumas possibilidades do uso do pau-brasil no contexto da arte contemporânea. 

Fabíola Salles Mariano é formada em Comunicações das Artes do Corpo (PUC-SP, 2005) e em Artes Plásticas (ECA-USP, 2008). Desenvolveu pesquisa de doutorado em Poéticas Visuais, com Marco Gianotti. Participou de exposições coletivas e individuais como Verbo (Galeria Vermelho, São Paulo, 2006), Impulso (Galeria Emma Thomas, São Paulo, 2008), SPA das Artes Recife (2010), Cinza-cor-de-pele (MAC-USP, 2012) e Programa Nascente (Centro Maria Antonia, São Paulo, 2016), entre outras.

A Construção da Imagem pela Cor, de Cleber Alexsander, reúne trabalhos em fotografia, gravura em metal e xilogravura em grande formato que interagem no espaço expositivo, com base numa  pesquisa em torno da cor como principal elemento constitutivo das imagens, articulando estruturas conceituais e a prática artesanal com procedimentos como superposições e repetição alterada de imagens. Alexsander é graduado em História pela USP e frequentou cursos de gravura com Evandro Carlos Jardim. Participou de mostras coletivas como SP Estampa (Galeria Gravura Brasileira, São Paulo, 2011) e Conversas Gráficas (Museu da Madeira, São Paulo, 2012). Um Olhar para o Azul (Gravura Brasileira, 2013) é sua exposição individual mais recente.

Priscila Guerra apresenta na exposição A Face Revisitada com obras criadas a partir da confluência entre meios artesanais, de produção de massa e meios digitais, ao gerar modelos tridimensionais e sua consequente representação física por meio da fabricação digital. A série de trabalhos, desenvolvida durante pesquisa de mestrado, parte da proposição de máscaras pós-humanas por meio de remodelagem, digitalização, acoplamento, simulação e manipulação da face, explorando um jogo de ver e não ver, montar e desmontar, identificação e enigma. A artista é graduada em Artes Visuais pela UNICAMP, com estágio na Université Rennes II, (2012-13) e desenvolve pesquisa de pós-graduação em Poéticas Visuais na ECA, com ênfase em arte e tecnologia.

Diogo de Moraes apresenta Diário do Busão: visitas escolares a instituições artísticas, proposta que articula as atividades do mediador cultural e do artista visual, através de uma concepção documentária da mediação. Dedicado a traduzir, visibilizar e discutir as formas de interação dos públicos escolares com ações institucionais representativas das políticas de democratização cultural, o trabalho se constitui a partir do acompanhamento de grupos de estudantes durante as visitas educativas a instituições de arte localizadas no centro expandido de São Paulo. Incluindo os traslados de ônibus pela cidade, esse acompanhamento se desdobra na produção de um conjunto gráfico vocacionado a retornar para as próprias instituições artísticas, endereçando seus agentes.

Diogo de Moraes é artista visual e mediador cultural, com atuações no Museu Lasar Segall, na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Itaú Cultural, além de ter coordenado o Núcleo Educativo do Paço das Artes, em São Paulo. Atualmente trabalha na Gerência de Estudos e Desenvolvimento do SESC SP. Expôs seus trabalhos na Funarte do Rio de Janeiro, e, em São Paulo, na Galeria Vermelho, Ateliê 397, Paço das Artes e Centro Cultural São Paulo.

Serviço:
Para Lá e Após - exposições individuais de 9 artistas

Abertura: 30 de outubro, às 19h30
Visitação: até 25 de novembro
Horário: segunda a sexta-feira, 9h às 20h­­­
Local: EdA - Espaço das Artes da ECA-USP (edifício da antiga sede do MAC-USP)
Endereço: Rua da Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária-USP, São Paulo
Informações: (11) 2648-1426 | espaco.artes@usp.br
entrada franca | classificação etária livre
 

Textos: João Bandeira
Fotos: Divulgação/EdA