Semana de recepção marca a chegada dos novos alunos de graduação da ECA

A Semana de Recepção dos Calouros 2019 foi realizada entre os dias 18 e 22 de fevereiro na ECA e em todos os campi da USP. Na Escola, os ingressantes foram acolhidos por veteranos e estudantes com mesas de debates, bate-papo com ex-alunos, jogos, oficinas e apresentações dos departamentos.

Abertura

“Nós estamos entre as escolas mais importantes do Brasil e, arrisco dizer, somos hoje a escola a mais importante do país em nossas áreas de atuação. Em algumas áreas, a ECA está entre as 10 melhores escolas do mundo. Valorizem isso”, disse o professor André Chaves de Melo Silva, presidente da Comissão de Graduação (CG) e chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), na abertura da Semana de Recepção aos Calouros da ECA. A apresentação da Escola aos ingressantes aconteceu no dia 18 de fevereiro, segunda-feira, e contou com a participação dos coordenadores de todos os cursos de graduação da ECA.

O presidente da CG aproveitou a oportunidade para falar sobre algumas das áreas administrativas de atendimento aos estudantes, como o Serviço de Graduação da ECA, a Seção de Estágios, a Comissão de Relações Internacionais (CRInt) – que orienta sobre os procedimentos necessários para o intercâmbio –, e a Biblioteca da ECA, uma “referência nacional” para pesquisa. O docente falou ainda sobre a oportunidade que os alunos da USP têm de escolher disciplinas em diferentes unidades de ensino. “Aproveitem isso. Não é toda universidade que oferece essa possibilidade”.


Acolhida aos novos calouros no saguão do Prédio Central da ECA. Foto: Arissa Tasso e Nataly Camargo

As características da formação da ECA foram ressaltadas pelos coordenadores: “há a preocupação em formar cidadãos com olhar crítico e que possam atuar de maneira diferenciada no mercado de trabalho”, comentou Valéria Castro, sobre o curso de Relações Públicas. “Intenso e extenso”, o curso de audiovisual é hoje, na visão do professor Rubens Rewald, estratégico no mundo todo, exigindo “muito investimento, muita pesquisa e muita responsabilidade”.

Os coordenadores também falaram sobre a estrutura curricular dos seus cursos: a abrangência da formação do curso de Biblioteconomia, que organiza e faz a mediação para o acesso a todo tipo de informação, foi mencionada pela professora Cibele dos Santos. Helena Bastos falou sobre o novo currículo do curso de artes cênicas, baseado no tripé artista-pesquisador-pedagogo, que flexibiliza a escolha do aluno sobre qual área se dedicar ao longo da graduação. Opção semelhante tem o estudante que deseja ingressar nas licenciaturas em artes. “Nós trabalhamos de uma maneira em que não há desvinculação entre o artista e o educador, explicou a professora Sumaya Matar, “são cursos em que as duas instâncias acabam atuando conjuntamente”.


Trote solidário foi promovido pelos estudantes de educomunicação. Foto: Susana Sato

O envolvimento com a pesquisa, já na graduação, também foi incentivada pelos coordenadores de curso. Adriana Lopes Moreira ressaltou que o curso de música busca oferecer uma visão ampla da área, muito diferente de cursos em conservatórios, incentivando o envolvimento com a pesquisa. Claudemir Viana lembrou que as próprias origens do curso de Educomunicação, uma área de intervenção social que surgiu na ECA como resultado de pesquisas de grupo de professores. Para o docente, “os saberes estão sempre evoluindo e a pesquisa é o que retroalimenta a evolução de todas as nossas áreas”.

Também falaram aos ingressantes o professor Christian Borges, docente do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) e diretor do Cinema da USP (CINUSP), e as bibliotecárias Cecília Moraes e Marina Macambyra, da Biblioteca da ECA.

Atividades da semana

Ao longo de toda a semana, os ingressantes puderam conhecer alguns setores da ECA com os quais terão mais contato ao longo do curso, além de participar de reuniões e visitas nos departamentos da Escola. Além disso, a presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ECA, Claudia Lago, participou, na quarta-feira (dia 20), de uma apresentação que reuniu coletivos, entidades e projetos de extensão universitária. A CDH combate ações que ferem os direitos humanos na comunidade ecana, como a discriminação racial, as violências de gênero, o machismo, a lgbtfobia, a xenofobia, preconceitos e assédios. A comissão atua não apenas no acolhimento das vítimas e na apuração de denúncias de violações, mas também na promoção de atividades educativas, formativas e informativas sobre o respeito aos Direitos Humanos. 

A Comissão de Relações Internacionais (CRInt) esteve com os estudantes na sexta-feira (dia 22) para explicar como eles podem se preparar para fazer um intercâmbio no exterior. Thaíse Desiree, agente de relacões internacionais da ECA, falou também sobre as vantagens de se fazer, já na graduação, o intercâmbio: ele "proporciona um crescimento pessoal gigantesco, aumenta os conhecimentos de vocês e dá um up enorme no currículo. Eu trabalho há sete anos na Comissão de Relações Internacionais e eu vejo a diferença da pessoa que vai fazer o intercâmbio e da pessoa volta do intercâmbio... É um negócio que muda a vida da gente", relatou aos alunos.


Apresentação da CRInt aos ingressantes. Foto: Verônica Cristo

Os novos alunos

"Superou todas as expectativas. Tá sendo super legal", conta Laura Tula, aluna do curso de turismo. "Tô gostando muito, estão acontecendo várias atividades que ajudam a integrar as pessoas, tanto do meu curso quanto de outras áreas da ECA".

"A recepção dos meus veteranos foi maravilhosa, o clima de coletividade nessa semana de recepção tá muito agradável, não tem como se sentir de lado ou não aceito", conta Emylly de Oliveira Alves, ingressante do curso de jornalismo. Vinda de Natal, no Rio Grande do Norte, a estudante foi aprovada na USP pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU), junto com outros colegas do instituto federal: "De onde eu estudava, sete pessoas puderam entrar na USP pelo SiSU por meio das cotas. É maravilhoso saber disso!"

Mesmo com críticas ao sistema atual de cotas da USP, Danielly Oliveira dos Santos, caloura do curso de artes cênicas, acredita que, "se não tivessem as cotas, eu não teria passado". Entre as atividades da semana de recepção aos calouros, a estudante conta que gostou da conversa sobre intercâmbio, do debate sobre cotas raciais na USP e do bate papo com veteranos e professores, que falaram sobre seus projetos de pesquisa. "Eu tava tipo 'mano, eu quero fazer tudo, tá ligado?'".

A estudante conta que ingressar na USP quebrou algumas barreiras para aqueles que estavam a sua volta sobre a Universidade ser um lugar inacessível. "Para mim, a USP é uma conquista muito grande, mas, mesmo assim, ainda é uma realidade muito dura para uma mulher negra, que vem da ZL até aqui". 


Danielly Oliveira dos Santos, caloura do curso de artes cênicas. Foto: Letícia Passarinho

 

Texto: Letícia Passarinho e Verônica Cristo
Imagem de capa: Arissa Tasso e Nataly Camargo