Revista AlterJor: uso do WhatsApp nas redações transforma rotina dos jornalistas

Aplicativo de mensagens permite participação mais ativa do público e serve como mecanismo de geração de pautas

 

O aplicativo de mensagens WhatsApp mudou as interações entre as pessoas e entre os estabelecimentos. A interface intuitiva e a simplicidade no acesso encantaram até os mais resistentes à tecnologia. No âmbito do jornalismo, o “zap” – como é popularmente chamado – transformou o processo de produção das pautas. No programa Manchetes Noticidade da TV Sorocaba, por exemplo, essa transformação é quase palpável. 

No artigo “O que é notícia? WhatsApp na redação”, presente no último volume da Revista Alterjor, as pesquisadoras Mara Rovida Martini e Roberta Lins Gregório analisaram o uso que o programa faz das interações via Whatsapp para investigar como o app se incorporou na rotina jornalística. “Atualmente, o aplicativo de mensagem é utilizado pelos telespectadores para transmitir vários tipos de informações para a redação dos telejornais e, pelas emissoras, é mais uma ferramenta que auxilia na produção de reportagens.”

O WhatsApp se tornou um mecanismo para geração de pautas, principalmente aquelas ligadas à comunidade. Acontecimentos que demandam atenção do poder público, como problemas de infraestrutura, encontram espaço no telejornal, através de vídeos e fotos de telespectadores, ansiosos por pressionar as autoridades responsáveis.

Assim, cada vez mais, as pessoas utilizam o aplicativo como uma forma de se conectar com a redação. Essa prática, como pontuam as pesquisadoras, não é recente. Em períodos mais analógicos, os veículos jornalísticos recebiam cartas, telefonemas e até visitas como forma de participação do público. Hoje, o processo é mais fácil: basta apertar “Enviar”.

Consequentemente, “analisar a grande quantidade  de  conteúdo  recebida e  enviada de  maneira  praticamente  instantânea  já  faz parte  da  rotina dos  jornalistas”. O material enviado em forma de texto, áudio ou foto precisa ser avaliado pelos profissionais para saber se rende, de fato, uma matéria. 

As mensagens trocadas via Whatsapp são protegidas por criptografia de ponta a ponta, não podendo ser visualizadas por terceiros não envolvidos na conversa. Assim, além do dinamismo proporcionado, o aplicativo também é uma ótima ferramenta para manter a confidencialidade da fonte, princípio ético do jornalismo.