Revista Comunicação & Educação: artigo discute os benefícios das produções audiovisuais voltadas para crianças

Produções audiovisuais como desenhos animados e programas infantis podem contribuir para o desenvolvimento da percepção, memória e raciocínio das crianças

 

Não há como negar que vivemos na era midiática, com a tecnologia fazendo parte fundamental de nosso dia a dia. Em O corpo brincante, o brinquedo corpo que fala: desenhos animados, comunicação e imaginário no desenvolvimento infantil, Isac dos Santos Pereira e Cicilia M. Krohling Peruzzo apontam a urgência da retomada dos debates sobre o elo entre os meios de comunicação, a criança e a escola, considerando o que os pequenos veem e ouvem pela TV. Retomar a discussão é importante, porque, não faz muito tempo, lembram os pesquisadores, o acesso a esses dispositivos de mídia era considerado algo pernicioso para a educação e o desenvolvimento da criança.

Na opinião dos autores, “se não é possível dizer com exatidão que os riscos não existem”, as produções audiovisuais para crianças, como desenhos e programas infantis, também podem contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da percepção, memória e raciocínio durante a infância. As mídias audiovisuais são, assim, objetos complementares “no desenvolvimento da linguagem e do conhecimento da criança”.

Brincar com a imagem e o som é um ato criativo da criança, pois ela incorpora visualidades e sonoridades quando assiste a desenhos animados e atua como os personagens das histórias, na medida em que imita, dramatiza, imagina e cria situações parecidas com aquelas que vê, ou cria outras realidades a partir das já conhecidas. É também um ato de percepção e memória, isso porque quando a criança procura verbalizar um pensamento, uma ideia, um sentimento, ela vai buscar lembranças do que viu e vivenciou.

 


Foto: Getty Images/ Reprodução BBC Brasil

 

Como recurso de ensino-aprendizagem, tais mídias também podem estimular a criatividade dos alunos, na realização de vídeos, encenações, performances e outras modalidades, com a rica contribuição para as crianças, como alunos e como indivíduos, das diferentes linguagens, artísticas ou não. Por isso, os autores enfatizam a necessidade de agregar o uso didático do desenho animado no sistema escolar atual, da comunicação audiovisual e da educação. É preciso ter em mente que a criança não é um mero depósito de imagens e sons recebidos pela tecnologia, “mas um ser crítico e criativo que transita entre seu mundo real e o imaginário e internaliza, imita, dramatiza e aprende”.

O artigo foi publicado no volume 25, número 1, da Revista Comunicação & Educação - A comunicação e a educação na era digital: os desafios da covid-19.

 

Texto: Margareth Arthur
Edição: Verônica Cristo

Originalmente publicado pelo Jornal da USP na seção Revistas da USP, uma parceria entre o Jornal da USP e a Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA).