Seminário relembra os 50 anos de trajetória do CCA

Fazer com que cinco décadas de história caibam em um seminário de apenas dois dias não é uma tarefa fácil, mas o evento do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) em comemoração aos seus Cinquenta anos de Trajetória e Contribuição às Áreas de Estudos, realizado durante os dias 25 e 26 de agosto, conseguiu destacar alguns dos momentos mais marcantes do Departamento e fazer merecidíssimas homenagens, emocionando a todos os presentes, entre atuais e antigos professores, funcionários e alunos.

Na abertura da cerimônia, no dia 25, foram feitas homenagens a três funcionários que colaboram com a Escola há mais de 30 anos:  Geraldo Pereira, Irineu Fernandes Lobão, Maria Socorro Oliveira de Almeida. Ao conduzir a homenagem, a professora e  organizadora do evento Roseli Fígaro, do CCA, lamentou que o trabalho do setor administrativo, embora essencial, muitas vezes passe despercebido em função de as pessoas não terem uma titulação, mas foi categórica ao falar sobre a importância dos homenageados para o Departamento e ao destacar o comprometimento e a dedicação que sempre demonstraram para com a ECA.

Em seguida, os presentes foram convidados a acompanhar o descerramento da placa (ao fundo da foto abaixo) que marca os 50 anos de existência do CCA.

                                Homenageados

O sociólogo e filósofo Danilo Miranda, diretor do SESC São Paulo há 30 anos, foi o primeiro palestrante do seminário. Durante sua exposição, Danilo falou sobre as similaridades entre o SESC e a ECA; duas instituições que buscam a convergência entre a cultura, a comunicação e a educação.

Ele apontou que esses foram temas, em especial a cultura, sempre muito negligenciados pela sociedade e pelos governos. Nas últimas décadas, o interesse por atividades culturais até tem crescido, mas ainda se enxerga apenas seu potencial econômico. A sociedade ainda não entende cultura e educação como vetores de processos civilizatórios. 

Segundo Danilo, o SESC, assim como a ECA, sempre procurou fugir do chamado modelo de "educação bancária"; uma transação unidirecional de informações, que visa apenas a formação técnica de um indivíduo, sem estimular que ele desenvolva um pensamento crítico sobre o que está aprendendo.

                               

Danilo falou também sobre a grande relação entre a ECA e o SESC, que existe desde os anos 60. Há muitos ex-alunos ecanos que hoje são funcionários do SESC nas mais diversas áreas; muitos professores da Escola já ministraram cursos nas unidades do SESC e colaboraram com as pesquisas lá desenvolvidas; há também alunos ecanos trabalhando nos estágios oferecidos pelo SESC. Recentemente, um termo de cooperação técnica foi assinado com a reitoria da USP e deverá estreitar ainda mais as relações entre as duas instituições.

Após a apresentação, e com mediação do professor Richard Romancini, os professores  do CCA, Maria Aparecida Baccega,  Adilson Citelli e  Maria Immacolata Vassallo de Lopes discutiram as contribuições feitas pelo Departamento ao campo da comunicação. Todos comentaram sobre suas memórias ao longo de muitos anos de ECA e lembraram conquistas de colegas que já se foram.

A última mesa do dia, por sua vez, buscou relembrar a trajetória dos estudos e pesquisas em artes oriundos do Departamento. Os convidados foram as professoras Dilma de Melo Silva, Elza Maria Ajzenberg e  Lisbeth Ruth Rebollo Gonçalves, e a mediação foi realizada pela professora Maria Cristina Castilho Costa. As professoras destacaram algumas pesquisas das quais já fizeram parte, o processo de desenvolvimento dessas pesquisas e também seus projetos atuais.  

No dia 26 de agosto, o primeiro grupo de debate comentou as repercurssões e produções do CCA ao longo dos anos, como a Revista Comunicação & Educação. Mediada pela professora Maria Cristina Mungioli, a mesa teve a presença das professoras Roseli Fígaro, do CCA, Ruth Ribas Itacarambi, do IME-USP, e do professor André Serradas, do SIBI- USP. 

Na sequência, foi exibido um vídeo contendo depoimentos de professores e funcionários do Departamento, que relataram suas vivências e o que pensam sobre o CCA. Em um painel após a homenagem, a professora Margarida Maria Krohling Kunsch, diretora da ECA, falou sobre o grande desafio que a nova geração de professores terá ao pensar novos meios de fazer o CCA crescer e de ajudar a juventude a encontrar seu caminho. O professor Eduardo Monteiro, vice-diretor da ECA, parabenizou os docentes e funcionários acrescentando que o CCA, em seus 50 anos, soube se reinventar, mesmo com as adversidades.

Fechando o ciclo de mesas, o evento em comemoração aos 50 anos do CCA contou também com a presença do educomunicador José Ignacio de Aguaded Gómez, professor de Educação para os meios de comunicação e de novas tecnologias aplicadas à educação, na Universidad de Huelva, Espanha, para discutir as perspectivas acadêmicas na formação de um novo perfil profissional. 

O encerramento do seminário foi abrilhantado com a apresentação do "Sarau 50 anos do CCA", em que o Grupo Ibile tocou sucessos de Chico Buarque, Cartola e Noel Rosa, entre outros artistas.

 

 

Texto: Mariana Rosa
Fotos: Eduardo Peñuela