XI OBITEL discute a reinvenção de gêneros e formatos da ficção televisiva

O auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da Universidade de São Paulo ficou lotado na última quinta-feira 1/9 para a realização do XI Seminário Internacional do Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva (OBITEL). O evento, que fez parte  da programação do Pré-Congresso INTERCOM, reuniu grupos internacionais de pesquisa e especialistas para um dia de discussões sobre o tema (Re)Invenção de Gêneros e Formatos da Ficção Televisiva, passando por tópicos como a mobilização popular por meio das ficções e as influências internacionais na produção brasileira de séries.

A mesa de abertura do evento foi constituída pela diretora da ECA, professora Margarida Maria Khroling Kunsch, pelos professores Maria Immacolata Vassallo de Lopes, do Departamento de Comunicações e Artes  (CCA), e Guillermo Orozco Gómez , da Universidade de Guadalajara/México, coordenadores gerais do OBITEL, José Marques de Melo, professor emérito da ECA e  idealizador do Centro de Estudos de Telenovelas da USP, Roseli Fígaro, chefe do CCA, Eneus Trindade, coordenador do Programa de Pós-graduação Ciências da Comunicação (PPGCOM), e Viridiana Bertolini, gerente de Desenvolvimento Institucional da Globo.

                  
                                           Auditório da Biblioteca Brasiliana durante o seminário 

Em sua fala, a professora Margarida Maria Khroling Kunsch parabenizou os professores Guillermo Orozco e Immacolata por manterem vivo o seminário, tarefa que não foi fácil, e agradeceu a parceria com o Globo Universidade, que colabora com a realização do evento, das pesquisas e com as publicações dos Anuários, que são os produtos concretos de todo o trabalho de pesquisa ao longo dos anos.

Com a citação de Jesús Martín-Barbero e Germán Rey, "É preciso ser capaz de distinguir entre a indispensável denúncia da cumplicidade da televisão com as manipulações do poder e os mais sórdidos interesses mercantis (....) e o lugar estratégico que a televisão ocupa nas dinâmicas da cultura cotidiana das maiorias, na transformação das sensibilidades, nos modos de construir imaginários e identidades",  a professora Roseli abordou a importância de sabermos separar o indiscutível papel manipulador e semeador de preconceitos que a televisão não tão raramente desempenha, de sua capacidade igualmente expressiva de transformar sensibilidades e construir novos imaginários e identidades.

Representando a  Globo, Veridiana Bertolini agradeceu a parceria de 11 anos com o OBITEL e ressaltou sua importância para ambas as partes: para os pesquisadores, por terem maior contato com seu objeto de pesquisa, e para a Globo, por poder absorver o conteúdo produzido pela Academia e refletir sobre seu processo criativo.

A professora Immacolata, por sua vez, falou sobre os 10 anos de pesquisa representados na publicação do Anuário Obitel de número 10, cujo lançamento foi feito no evento. Relembrou as primeiras edições do seminário, realizadas no Rio de Janeiro, e os outros países que já o sediaram. Segundo a professora, o OBITEL congrega grupos de pesquisa de 12 países e conta com cerca de 80 participantes."Isto aqui é um trabalho de interculturalidade", afirma a professora, reforçando a importância de haver um registro do que vem sendo produzido na América Latina, além de Portugal e Espanha.

                  
(esq.p/ dir.) Maria Immacolata Vassallo de Lopes, Guillermo Orozco Gómez, José Marques de Melo, Margarida Krohling Kunsch  

Já o ex-diretor da ECA e idealizador do Centro de Estudos de Telenovelas da USPJosé Marques de Melo reconheceu a importância das telenovelas da Rede Globo e afirmou que é exatamente por esse motivo que a parceria com a emissora para a realização do OBITEL existe há tanto tempo. 

O professor Orozco encerrou as falas da mesa afirmando que o Observatório tem a intenção de continuar estudando as relações profundas entre a ficção, a realidade e o público, ainda que com o avanço da tecnologia as ficções passem a ser exibidas em outros dispositivos.

Após a abertura e com mediação de Rodrigo Fonseca, roteirista da TV Globo, teve início a primeira mesa-redonda do evento, que abordou a mobilização social por meio da ficção. Seus integrantes foram Rosane Svartman e Emanuel Jacobina, autores da Globo, e Beatriz Azeredo, diretora de Responsabilidade Social da Globo, que falou sobre como a emissora procura abordar, em seus produtos televisivos, questões ainda consideradas delicadas pela sociedade.

Em um momento em que a Globo tem sido elogiada pela produção de suas novas séries, a segunda mesa do dia também foi bastante oportuna, pois consistiu em um debate sobre a  internacionalização do processo criativo da ficção serializada. José Alvarenga Jr, diretor artístico da Globo, e os professores Maria Immacolata e Guillermo Orozco, coordenadores gerais do OBITEL, discutiram as novas tendências da emissora, que vêm correndo riscos, inclusive com a aposta em um gênero ainda pouco explorado no país, mas que faz bastante sucesso fora: o do Terror.

Na segunda parte do evento, à tarde, foram debatidos os novos formatos, gêneros e influências dos projetos que vêm sendo desenvolvidos na Colômbia, México, Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Peru e Portugal. 

Na primeira mesa, foram discutidas as produções da Colômbia e do México com Borys Bustamante e Fernando Aranguren, da Universidad Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, e Guillermo Orozco e Gabriela Gómez, da Universidad de Guadalajara, no México. Os comentários do ponto de vista dos autores ficaram com a autora Rosane Svartman, da TV Globo.

Produções argentinas, chilenas e uruguaias foram os objetos analisados na segunda mesa-redonda, formada por Mónica Kirchheimer, da Universidad de Buenos Aires, Argentina; Pablo Julio Pohlhamer e Francisco Fernández, da Pontificia Universidad Católica de Chile; e Rosario Sánchez, da Universidad Católica del Uruguay. Os comentários foram de Walcyr Carrasco, também autor de novelas da Globo.

A última mesa do dia tratou sobre o que se vê atualmente nas televisões brasileira, peruana e portuguesa. James Dettlef e Giuliana Cassano, da Universidad Católica del Perú; Catarina Duff Burnay, da Universidade Católica Portuguesa; e Maria Immacolata Vassallo de Lopes, coordenadora geral do OBITEL foram os convidados para o debate. Dora Câmara, diretora executiva de Kantar IBOPE Media, foi a comentarista.

Texto: Mariana Rosa
Foto: Eduardo Peñuela