Discutindo uma teoria das coleções para a memória do futuro: registros, narrativas e exposições+B16

Programa: Ciência da Informação

Área de Concetração: Cultura e Informação

Linha de Pesquisa: Apropriação Social da Informação

Docente Responsável: Giulia Crippa

Descrição:

Esse projeto visa estudar a relação entre a circulação e a exposição cotidiana dos objetos, considerados em seu valor de uso e a coleção e a exposição dos mesmos objetos, em uma perspectiva de narrativas da memória, considerados em seu valor de troca. Se vale, para tanto, de um percurso de indagação histórica que, ao longo dos últimos dois séculos, explica a chegada do consumo às massas. Objetivo geral: Indagar as coleções de objetos e documentos oriundos tanto da produção no sistema da arte, bem como da produção industrial (entende-se, aqui, o design, a produção gráfico-publicitária etc...), entre seus valores de uso e seus valores de troca. Estudar as fronteiras porosas entre as categorias ligadas à função de mercadoria dos objetos industriais e artísticos, sua projetação, sua realização e as dinâmica de coleção que as modalidades produtivas e de realização impõem (entre arquivos e museus) e as narrativas de memória que disso se constituem, principalmente através de sua exposição e mediação. Objetivos específicos: 1) Elaborar o espaço crítico e a definição de objetos e documentos ligados à memória, hoje, para que seu conteúdo informacional se torne memória coletiva compartilhada. 2) Reconstituir os discursos ideológicos que permeiam a trajetória das mercadorias como cultura e da cultura como mercadoria no Capitalismo industrial. 3) Indagar as formas de constituição da memória para o futuro, através da seleção, organização e circulação e apropriação das memórias produzidas, portanto de acessibilidade maior ou menor, de objetos e documentos que constituíram os interesses cotidiano e de coleção dos últimos dois séculos. 4) Discutir a formação de arquivos híbridos enquanto coleções e lugares que surgem do entrelaçamento entre mudanças na concepção de coleção, de arquivo (Foucault, Deleuze), do campo da documentação (Otlet, Briet), do campo da História (Bloch, Le Goff) e do campo das discussões estéticas (Warburg, Benjamin) ao longo do século XX. 5) Exposição: oferecer um panorama histórico sobre as formas expositivas adotadas no tempo, considerando tanto o ambiente museológico como o panorama mais ligado às exposições de natureza comercial. Vale a pena observar o que acontece tanto no processo de construção bem como no momento em que tudo está pronto: as obras, as informações, as indicações, os locais e sua iluminação, quando os curadores e os organizadores se oferecem aos olhos do público, que começa sua visita. Não importa que se trate de uma exposição de um artista, o pavilhão de uma exposição ou feira internacional, o que importa é que os locais de apresentação se oferecem aos olhares transformados pela exposição, renovados na definição de um percurso obtido através de modificações temporárias ou definitivas das estruturas. Também pode ter uma cor nova nas paredes, assim como uma nova iluminação que valoriza e destaca os objetos expostos. O público, circulando entre os objetos, se desloca atraído pela cenografia, que é momento final, o cume de um processo de organização e realização de uma exposição. Envolvidos nesse processo são profissionais diferentes que, em um trabalho de equipe, têm como finalidade tornar os objetos expostos protagonistas finais. 5) Curadoria: estudar o papel e as funções desemprenhadas por este profissional fundamental na realização das exposições, pois é o criador, o inventor do projeto que relaciona os objetos expostos. É ele que cria o discurso, ou seja, a narrativa que permite que as obras se tornem visíveis como sequência de palavras e frases dotadas de sentidos. Expor com clareza a TESE de uma exposição é condição indispensável para realizar um evento que valorize as obras e ofereça ao público novas reflexões e sugestões, despertando seu interesse.