Ordem informacional dialógica: formulação de categorias sobre práticas e formação de mediadores de informação especializados

Programa: Ciência da Informação

Área de Concentração: Cultura e Informação

Linha de Pesquisa: Apropriação Social da Informação

Docente Responsável: Ivete Pieruccini

Descrição:

O projeto trata do desenvolvimento do conceito de Ordem informacional dialógica, pesquisa permanente articulando vários estudos que visam ao desenvolvimento e descrição do referido conceito. No período (2013-14), o foco privilegiado foi a sistematização de categorias ligadas a práticas de mediação cultural em dispositivos informacionais dialógicos (PIERUCCINI, 2004; 2008) bem como a sistematização de referenciais para a definição de programas de formação de mediadores nos referidos dispositivos, sob a ótica das relações entre processos de mediação e apropriação cultural. A apropriação social da informação envolve diretamente dispositivos e processos de mediação cultural -bibliotecas e afins e seus mediadores-, categorias com papeis fundamentais e complementares na vasta trama sociocultural implicada na construção de sujeitos do conhecimento. Ações orgânicas, sistemáticas, diversificadas em torno de processos e práticas de apropriação do conhecimento nos dispositivos informacionais demandará, assim, tanto ambientes devidamente qualificados e organizados que contemplem a possibilidade de ações nesta perspectiva, quanto profissionais que ali atuam, preparados para a complexidade das dinâmicas do diálogo entre sujeitos e o universo sígnico. Com base em premissas, objetivos e metas que considerem perspectivas da mediação cultural como ação educativa intrínseca aos dispositivos informacionais, a redefinição da ordem informacional neles inscritas implica a construção de referenciais conceituais e metodológicos que norteiem mediadores e práticas nesses ambientes de informação, sobretudo nos quadros e contextos históricos brasileiros, marcados por profundo hiato entre cultura da escrita e sociedade. A abordagem da literatura sobre o tema confirma que um número importante de quesitos que dizem respeito à ordem informacional dos dispositivos é essencial à qualificação desse processo. As boas condições de funcionamento e desenvolvimento dos dispositivos informacionais como infra-estrutura adequada, modos de gestão flexível de atendimento, práticas de leitura-escrita compatíveis com demandas do quadro informacional na contemporaneidade implicam, sobretudo, clareza de objetivos e repertórios compatíveis por parte dos sujeitos que ali atuam, cotidianamente. O pressuposto traz em seu bojo a urgente e inalienável revisão e consolidação de vínculos fundamentais entre a ordem informacional dos dispositivos de mediação cultural, não mais definidos em função somente de princípios técnico-especializados e de uso de seus acervos bibliográficos ou audiovisuais, mas especialmente dos processos de mediação e apropriação culturais que promovem. Os obstáculos herdados do passado, quanto dificuldades contemporâneas, resultantes não exclusivamente mas, sobretudo do desenvolvimento tecnológico, ensejam abordagens rigorosas que permitam compreender as questões sociohistóricas envolvidas em tal problemática, e a formulação de referenciais que ofereçam subsídios à sociedade na adoção e/ou redefinição dos dispositivos de mediação cultural vigentes, tal como as bibliotecas e seus congêneres. O complexo quadro sócio-histórico em se que inscreve a problemática em questão, coloca em foco a formação de mediadores culturais, dentre os quais os bibliotecários, os quais ocupam especial espaço nos processos e práticas que caracterizam os dispositivos informacionais e a sua ordem.