Debates Interculturais: as injustiças do discurso político

A filósofa espanhola Carla Carmona Escalera, da Universidade de Sevilla, debaterá sobre comunicação, preconceito, espaço urbano e feminismo

As diferentes formas de injustiça diante de preconceitos sociais, raciais e de gênero presentes nos discursos políticos será o tema de conferência internacional promovida pela Universidade de São Paulo (USP) no próximo dia 31 de agosto, com a filósofa espanhola Carla Carmona Escalera. A professora da Universidade de Sevilla inclui sua reflexão no contexto de intensa disputa política no Brasil. O debate pretende explorar a temática das injustiças não a partir do cenário eleitoral, mas de discussões filosóficas sobre a linguagem e as interações humanas.

Na conferência “Debates interculturais: As injustiças do discurso político – Sloterdijk, Wittgenstein e Miranda Fricker”, a filósofa apresentará sua visão sobre as formas como os indivíduos sofrem injustiça quando constroem representações equivocadas de si mesmos, ao mesmo tem que cometem injustiça quando negligenciam os testemunhos das vítimas de preconceitos.

O evento é promovido pelo Grupo de Pesquisa Comunicação Pública & Política (Compol), situado na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP). Um dos objetivos é refletir sobre as mediações e efeitos das narrativas políticas sobre contextos de diversidade, como o espaço urbano – outro tema presente nos estudos de Carmona. Para ela, a cidade é uma esfera comunicacional em que as pessoas e povos tentam reconstruir ambientes de interação e “imunização”. Essa ideia provém das reflexões do filósofo alemão Peter Sloterdijk, que discute a vida social a partir do percurso da formação humana, a começar por sua primeira “morada”, o útero materno.

“Estou muito bem impressionada com a qualidade dos estudos brasileiros sobre Sloterdijk”, afirma a filósofa. A conferencista espanhola combina sua interpretação sobre a obra deste filósofo com o papel do uso da linguagem a favor da interação, segundo a teoria do austríaco Ludwig Wittgenstein.

Carmona está também particularmente interessada em acompanhar o embate político liderado pelo feminismo em torno das atuais propostas de descriminalização do aborto no Brasil. Outros itens de discussão aguardados para a conferência são os diversos cenários de marginalização de grupos sociais, como migrantes, moradores de rua, mulheres, entre outros.

Carla Carmona Escalera é titular de disciplinas de Teorias de Conhecimento, Teorias do Diálogo e Interculturalidade na Universidade de Sevilla. É tradutora de Sloterdijk para o espanhol, além de autora de diversas obras sobre estética e Wittgenstein. Em sua carreira de pesquisa, passou por centros de excelência como a Universidade de Viena, Universidade de Oxford e o King´s College London.

O debate acontece no dia 31/08, as 14h, no auditório Paulo Emílio da Escola de Comunicações e Artes.