Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais

A criação do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais é resultado de um legado de pesquisa histórica e estética desenvolvido ao longo das últimas três décadas por professores e pesquisadores associados às várias fases pelas quais passou a área de concentração dedicada aos estudos de cinema, rádio e televisão. O mestrado em rádio e televisão foi o primeiro a ser criado, em 1972, logo seguido em 1974 pelo mestrado em cinema e teatro. Em 1980, foi criado o doutorado em ambos os cursos. Reformulações gerais do programa implantadas em 1996 consolidaram os dois cursos em uma só área de concentração do programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação, a bem sucedida área de Comunicação e Estética do Audiovisual.

A partir do ano de 2009, e no espírito de colaborar com o esforço de reformulação e adequação de programas de pós-graduação e áreas de conhecimento em curso na Escola de Comunicações e Artes e nas agências nacionais de financiamento, professores atuantes na docência e na pesquisa relacionada ao cinema, à televisão, ao rádio, ao vídeo e às mídias digitais propõem a constituição desse novo programa, que reúne aspectos artísticos e industriais, teóricos e práticos da área audiovisual.

O caráter estratégico, no mundo contemporâneo, da produção e circulação de filmes, vídeos, programas televisivos, mídias sonoras e conteúdos digitais, estimula a criação e a reflexão teórica, a crítica e a pesquisa histórica, renovando instrumentos conceituais e metodológicos, e configurando uma área específica do conhecimento. O corpo de professores do programa reúne alguns dos pesquisadores de maior referência na área, especialistas com formação em estética, literatura, história, ciências sociais, arquitetura, economia, além de cinema, vídeo, mídias sonoras e digitais, e que trabalham em torno de temáticas e obras audiovisuais.
Assim, os pesquisadores aqui reunidos a partir de diferentes perspectivas teóricas, compartilham o entendimento de que as articulações formais que individualizam obras audiovisuais constituem o cerne de sua investigação. Constituímos, por isso, um programa estruturado em torno das diversas manifestações audiovisuais, entendendo que a partir dessas especificidades é possível investigar injunções culturais e históricas que se relacionam com outras áreas do conhecimento.

A proposta consolida e amplia a linhagem de pesquisa iniciada por Paulo Emilio Salles Gomes, com continuidade no trabalho dos professores Jean-Claude Bernardet, Maria Rita Galvão e Ismail Xavier, autores que de maneiras diversas centraram suas abordagens nas especificidades empíricas de objetos fílmicos. Além disso, dá continuidade às tradições de pesquisas no campo da televisão e das mídias eletrônicas e digitais, da semiótica e dos estudos de recepção, respectivamente inauguradas entre nós por Arlindo Machado, Eduardo Peñuela Cañizal e Mauro Wilton de Sousa. O projeto vem ao encontro também do movimento de pesquisadores da área que, desde 1997, se reúnem anualmente em uma associação específica, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE), que promove o intercâmbio intelectual nacional entre professores e estudantes de pós-graduação, alocados em suas universidades de origem, em departamentos de diversas matrizes (Comunicações, Artes, Letras e Ciências Humanas). Cabe salientar que vários professores proponentes do novo programa, como Maria Dora Mourão, Ismail Xavier, Rubens Machado Jr., Esther Hamburger, Henri Gervaiseau e Eduardo Morettin, atuaram ou atuam em diversas instâncias da SOCINE, suas diretorias, comitês, conselhos e comissões.

O projeto também estende à pós-graduação da ECA movimento bem sucedido na graduação, quando da criação do Curso Superior do Audiovisual em 2000, na gestão do professor Mauro Wilton de Sousa, com o objetivo de incrementar os estudos em nível de mestrado e doutorado nas áreas de cinema, vídeo, rádio, televisão e mídias digitais. O novo curso substituiu com êxito, verificável nos resultados de aproveitamento e produção dos novos alunos, os antigos cursos de Cinema e Vídeo e Rádio e Televisão. O novo curso forma profissionais com o necessário instrumental teórico, técnico e crítico preparados para enfrentar os desafios colocados em um mundo em que os diversos formatos e veículos difusores de sons e imagens convergem para o suporte digital e estão presentes na vida econômica, escolar e artística, no entretenimento e na política. Essa nova forma de ver o campo gerou um ímpeto renovador que atinge a pós-graduação configurando um potencial de pesquisa e realização que será estimulado com o novo programa.

 

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