Revista Aspas 2020: Chamada para o próximo número da Aspas 10.1

Chamada para publicação de artigos na Revista Aspas Edição 10.1

Tema: Corpo Cidade

Pelo menos desde o final do século XIX até esse começo de século XXI, acompanhamos uma espécie de êxodo de artistas que tentam desobedecer às convenções estabelecidas tanto nos cubos brancos dos museus, quanto nas caixas pretas dos teatros, com a finalidade de desdomesticarem a relação corpo e cidade. Para tanto, tal êxodo de artistas tem elegido o espaço-tempo urbano como local privilegiado de atuação, ao investigarem de que modo os corpos produzem as cidades e outros sítios, bem como, de que maneira os outros sítios e as cidades produzem os corpos, enquanto promovem aquilo que o artista brasileiro Hélio Oiticica denominou como poetização do urbano. Isto é, a partir de um corpo a corpo com a cidade e sítios específicos, artistas de diferentes linguagens tem experimentado o que tem sido chamado de impulso situacionista-relacional. De acordo com o pesquisador britânico Nicolas Whybrow, tal impulso situacionista-relacional ocorre na e pela proliferação de acontecimentos artísticos sem estruturas prontas e dadas a priori, nos quais o que parece estar em jogo é justamente o acionamento de outras possibilidades de co-presença corporal no e com cotidiano urbano. Para a arquiteta e urbanista brasileira Paola Berenstein Jacques, tal processo ocorre somente através do engendramento de micro resistências urbanas que são ativadas à medida em que a arte constrói dissensos em pelo menos três níveis distintos, mas que estão correlacionados entre si: a complexidade da relação corpo e cidade, a vitalidade do uso dos espaços públicos e o desenfreado processo de museificação das cidades contemporâneas. 

Nesse contexto, a Revista Aspas convoca artistas, pesquisadores e interessados em geral em discutir: qual o papel do corpo no corrente processo de urbanização da experiência artística? De que forma a arte pode acionar aquilo que o corpo pode na cidade - e em ambientes outros - em detrimento de sucumbir ao exercício do poder do sítio específico sobre o corpo? Tais perguntas pretendem contribuir com o debate sobre as possíveis relações entre corpo, arte e cidade, frente a premência em nos tornarmos reflexivos acerca da crescente manipulação de práticas artísticas urbanas para a produção de publicidade sem esfera pública - um dos disfarces recorrentes dos processos de privatização do espaço público. 

A chamada de artigos para a referida edição estará impreterivelmente aberta no período de 06 de abril a 01 de junho de 2020.

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