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NOTA DE PESAR

 

Uma vez mais a Escola de Arte Dramática vem a público lamentar a morte de uma de suas ex-alunas, ocorrida no dia 18.04.2021.

 

Marizilda Rosa entrou na EAD em 1991 e seu último trabalho na escola foi a peça Boteco, direção de Renata Melo, em 1997. Em sua trajetória profissional, integrou o elenco de diversos espetáculos infantis, passou pelo grupo Tapa, atuando nas montagens de A serpente e Major Bárbara, sob direção de Eduardo Tolentino, e, no cinema, trabalhou em É proibido fumar, de Anna Muylaert , e em Salve geral, de Sérgio Rezende. Seus colegas de escola e parceiros de palco, de forma unânime e carinhosa, se referem a ela como uma pessoa talentosa, risonha e generosa. É também assim que ela ficará na memória dos que a conheceram. Nos últimos tempos, Marizilda estava vivendo em Brasília, mas eventualmente realizava trabalhos em São Paulo – compôs o elenco do infantil Floresta dos Mistérios, sob a direção de Márcio Araújo, que atualmente está sendo apresentado em versão gravada online . Ela foi embora muito cedo, levada pela Covid. Isso poderia ter sido evitado e esse fato torna sua morte ainda mais dolorida. A EAD e o teatro estão de luto por ela e todes que nos estão deixando antes do tempo. Seguimos!

 

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NOTA DE PESAR

 

São Paulo, 01 de Abril de 2021.

 

João Acaiabe. João olhou nos olhos de Iku. Sim, porque nem tudo se resume a essa contabilidade terrível da perda, embora sejamos forçados a atravessá-la. Quem conheceu João está ouvindo sua risada e seu chamado para a vida. Ele era assim, desde a sala de ensaio, uma presença a exigir de todos um engajamento no vivo.

 

João foi da turma de 1968; veio com a Escola para  o campus e estava no palco, falando de seus dias de Escola de Arte Dramática, por ocasião da festa de 50 anos da Escola de Comunicações Artes.

 

No teatro, no cinema, na televisão, João foi um contador de histórias. Ele dizia que Antônio Abujamra o fez entender isso, no final dos anos 1970: ele devia contar histórias como um griot. E assim, muitos lembrarão de João: os que foram crianças em frente  à televisão, assistindo ao Bambalalão; ou os que, crianças, viram sua figura no Sítio do Picapau amarelo. Gerações diante de um griot brasileiro, que agora vai se tornando Ancestre.

 

A figura emblemática das peças de Plínio Marcos, o professor de teatro.  João começou o ano estreando com jovens artistas em um projeto no Centro Cultural São Paulo, e como tantos artistas, tinha planos para o ano, planos para a vida, numa luta por ela, com ela.

 

Riremos na voz de João, sempre. Um ator que podia ser a voz ancestral no Rei Leão, mas também a voz do não em O dia que Dorival encarou a guarda. Seremos, nós, também, nesse momento de horror e regressão, capazes de encarar a guarda?

 

O Orum recebe de volta um seu.

Há um documento em vídeo, em que João lembra o corifeu em Missa Leiga, de Chico de Assis e direção de Ademar Guerra, em 1972, em que ele era João Batista. Diz o corifeu:

 

Nos acostumamos à morte e ao genocídio

Como adquirimos vícios gerais como fumar e beber

Estamos resistentes e intoxicados a qualquer notícia

Esperamos, como num jogo, sermos personagens da tragédia

Aí, então, nos desesperamos e tomamos providências

Aí, então, gritamos, mas ninguém nos ouve

Porque o ar está poluído de berros lancinantes

Aí, então, tentamos explicar o mal do mundo

Mas ninguém nos ouve,

Ninguém tem ouvidos para estas coisas.

Somos vítimas sintomáticas

Do nosso desinteresse pela vida

Pela nossa apropriação sôfrega

Das migalhas e farrapos da alegria

Sobradas do contínuo festim da violência

A solidariedade humana é uma doutrina

De condenados à morte, imediatos

O amor é o privilégio dos que vivem

Sob risco de vida, nos andaimes do mundo

Sob a marca da fatalidade planejada, marginal

Debaixo das ordens de guerra e destruição

O paradoxo do amor é sua própria destruição

Quem entende de perigos é o equilibrista.

Quem sabe da felicidade

É o recém-afogado no mar

Certas facilidades de sobrevivência

Egoístas e pessoais castram no homem

Sua sensibilidade geral

A notícia do mundo é tão tragicamente forte

Que a humanidade devia chorar

E se afogar num autodilúvio de lágrimas

Ou então refletir sobre as formas de tortura

Repensar as várias modalidades de assassinato

Mastigar a fome e engoli-la sem água

O homem está calmo e feliz

À espera de que invadam sua casa

Atirem sobre seu filho e violentem sua mulher.

Isso já aconteceu, só falta perceber

(...)

É preciso começar alguma coisa

Que liberte a vida

Que não limite o conhecimento

Pelas grades dos sentidos

Olhos, ouvidos, olfatos, tato e sonho.

uma consciência em cacos

Entende um mundo despedaçado

um ser inacabado e abandonado

Tem terror do finito e do infinito.

É preciso seres desiguais e concordantes

Ao invés de iguais e discordantes

E isso já basta para uma nova forma de amor.

 

Senhor!

Deixa que eu seja como a flor do mato

Semeada pelo vento ao sabor do acaso

 

Senhor!

Deixa eu ser como o riacho louco que desenha

Em curvas inúteis sua própria estrada

 

Senhor!

Deixa eu ser como a ave

Que acaba de aprender a usar as asas

Mas não sabe para onde voar, apenas voa

 

Senhor!

Deixa que eu viva em constante amor

Sem poder saber nunca o que é o amor.

 

ESCOLA DE ARTE DRAMÁTICA

 

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NOTA DE PESAR

 

A Escola de Arte Dramática manifesta com profundo pesar o falecimento do ex-aluno Edson Montenegro, ocorrido no domingo, dia 21 de março de 2021.

 

EDSON MONTENEGRO era sua voz. Essa voz que nos fazia ouvir os tons de uma ancestralidade manifesta, desde as águas mais fundas até as fugas em voo altíssimo de pássaros, futuros.

 

Procurou a EAD já maduro, surpreendendo a todos, porque o teatro já o conhecia e admirava. Queria mais. Queria desconstruir, estudar, redescobrir, preparar-se outra vez, conquistar existência mais larga.

 

Edson Montenegro, em sua humildade, dignificava o espaço e as relações. Sua voz impunha um respeito que não se pode adjetivar. Ela deslocava. Ao ouvi-lo, você não estava apenas diante de um indivíduo; seu timbre era manifestação, portanto presença, de sua gente. Que desejo maior pode uma voz sonhar?

 

Ainda outro dia, pouquinho mais de um ano, Edson, em sua luta permanente com a expressividade da palavra, procurou aulas de voz! Tinha compreendido que era preciso e possível buscar novos contornos, sutilezas das formas que a palavra contém  e às vezes esconde, outra  fluidez, novas delicadezas. Veio trazendo textos que falavam de amor e amores, veio trazendo disposição para derrubar paredes interiores e reconstruir-se.

 

Que na nova travessia ele encontre ainda mais maturidade jazzística, doçuras, o amor e os amores que nós, aqui e agora, no terror deste tempo, não temos podido encontrar.

 

E que toda a beleza que Edson buscava e evocava em seu canto permaneça como inspiração nas lutas destes duros dias.

 

A voz, sua voz, permanece.

 

Na oportunidade partilhamos nossas condolências à família desejando muita força no enfrentamento da perda.

 

São Paulo, 22 de março de 2021.

Escola de Arte Dramática da USP

 

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NOTA DE PESAR

 

A Escola de Arte Dramática manifesta com profundo pesar o falecimento do ex-aluno Luis Carlos Rossi, ocorrido no sábado, dia 20 de março de 2021, deixando como herança para todos nós do teatro seus cenários, adereços, brilhos e cores, suas fantasias, seu carnaval, beleza e poesia. Deixou sua voz, seu humor, seu talento, sua generosidade. Esteve na EAD na década de setenta. Foi ator e criador de sonhos. Máscaras, balagandans, lantejoulas, anjos, demônios, céu e inferno, sons e silêncio. O silêncio que hoje nos habita e arrasa. Em tempos de tristeza e impotência, da solidão dos abraços e de nossa incredulidade, que a beleza e a potência de sua trajetória permaneça em nossa memória e em nossos corações. 

 

Na oportunidade partilhamos nossas condolências à família desejando muita força no enfrentamento da perda.

 

São Paulo, 22 de março de 2021.

Escola de Arte Dramática da USP

 

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Começamos hoje, na @escoladeartedramaticaoficial , a série de encontros abertos: PERSPECTIVAS ANOS 20. Trata-se um programa aberto à reflexão sobre o tempo presente, as práticas artísticas e seus vínculos sociais, interrogando sobre o que ainda podemos imaginar juntos. Em meio à quarentena e inscritos no contexto de atividades on line da Escola, os encontros ocorrerão durante todo ano, a cada semana, sempre às quintas-feiras (exceções a serem devidamente divulgadas), às 19h.

 

O primeiro encontro será no dia 02/07, com Denise Ferreira Da Silva - A DÍVIDA IMPAGÁVEL: RACISMO, CAPITALISMO, PANDEMIA E A ARTE QUE FAZEMOS.

 

Assista pelo Canal Youtube da Escola:
https://www.youtube.com/channel/UCLrX3U_lorA_C0-1wAs-Nvw

 

Instagram: @escoladeartedramaticaoficial
 

Segue uma lista com  convidades dos próximos encontros: 

09/07 (quinta-feira) - Paulo Arantes

16/07 (quinta-feira) - @gracepasso 

22/07 (quarta-feira) - @janainafontesleite e @marat_descartes 

30/07 (quinta-feira) - Leda Maria Martins

06/08 (quinta-feira) - @dodileal 

13/08 (quinta-feira) - Ismail Xavier
 
20/08 (quinta-feira) - Eleonora Fabião 

27/08 (quinta-feira) - Cida Moreira

24/09 (quinta-feira) - André Lepecki

08/10 (quinta-feira) - Márcio Abreu

22/10 (quinta-feira) - Fabio Luis Barbosa dos Santos

29/10 (quinta-feira) - Castiel Vitorino Brasileiro 

 

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