Com o sucesso do mercado de livros, curso de Editoração ganha destaque

Com o número de leitores cada vez maior, o mercado de livros no Brasil está em alta. Editoras aumentaram suas vendas e o setor se acostumou a bater recordes de movimentação de recursos. Com isso, as diferentes etapas de produção e comercialização do livro se reinventam, e os profissionais envolvidos nesse processo, e a formação por eles adquirida, ganham destaque.

Só em 2011, editoras brasileiras atingiram a marca de 469,5 milhões de exemplares comercializados. O número é um recorde no setor. Entre 2010 e 2011, as vendas tiveram um aumento de 7,2%, segundo pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que, pela primeira vez, incluiu dados referentes aos e-books.

 

Anualmente, a USP realiza a Festa do Livro, feira em que editoras vendem suas publicações com pelo menos 50% de desconto. Ano passado, foram mais de 140 editoras participantes e mais de 200 mil exemplares vendidos
(foto: usp imagens| Marcos Santos)

 

 

Sobre os livros digitais, inclusive, os números ainda são pequenos quando comparados aos exemplares tradicionais. Foram 5.200 títulos digitais, contra 53 mil dos tradicionais, o que corresponde a uma fatia de 9%. Em relação às vendas, os e-books representaram um faturamento de R$ 870 mil, enquanto os encadernados passaram dos R$ 4,8 bilhões.

 

Os e-books, livros digitais, já são uma realidade, mas seus números ainda são tímidos
quando comparados aos dos livros tradicionais

 

Com números indicando um mercado em expansão, a procura por cursos de formação para editores de livros também aumenta. Além de formações rápidas, que buscam atualizar os profissionais já em atividade para as novidades do mercado, existem cursos de graduação destinados à produção editorial, que também estão em alta.

Dados da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) revelam que o curso de Editoração da ECA teve um aumento superior a 20% na relação candidato/vaga no último ano. O curso da USP, inclusive, é um dos mais tradicionais entre os que formam editores no Brasil. Criado em 1972, só não é mais antigo que o da Universidade Federal do Rio de Janeiro, surgido um ano antes.

Na ECA, os alunos são direcionados para uma carreira multidisciplinar, e o curso incorpora na grade curricular disciplinas que se dedicam não só à formação humanística, mas também à formação técnica e profissional. A modernização na produção e nas formas de consumo dos livros também é considerada, e as peculiaridades dos diferentes suportes de mídia são analisadas.

Além da formação literária, os alunos têm disciplinas relacionadas a questões jurídicas, áreas do marketing e ao domínio do português. “O curso prepara o aluno de um jeito versátil que pode ser muito bem aproveitado pelas editoras que querem profissionais que conheçam todos os passos que acontecem lá”, acredita Vinícius dos Santos, aluno do quinto ano de Editoração na ECA.

 

 

Além de uma editora-laboratório, que faz parte da grade curricular do curso, os alunos ainda tem a opção de participarem da Com-Arte Jr., uma empresa júnior que presta serviços editoriais para clientes dentro e fora da USP
(foto: Giuliano Tonasso Galli )

 

Durante a graduação, os alunos já entram em contato com parte da realidade de uma editora por meio da Com-Arte, uma editora-laboratório que trabalha com todas as etapas da publicação de um livro, que vão desde a elaboração e a escolha de um texto, passando pela revisão, projeto gráfico, criação da capa, diagramação, até a sua divulgação e comercialização.

A profissão exige versatilidade, e o curso, apesar de ser uma especialização, busca suprir tal demanda do mercado. “A formação acadêmica não deve ser um limitador, principalmente na comunicação. Mas quem se forma em Editoração é diferente de alguém que se forma em letras e pretende editar, revisar e selecionar textos. É diferente também de quem só tem formação em design”, opina Vinícius.

 

por Giuliano Tonasso Galli