“Sexualidade e Ignorância”

Que o amor seja livre e colorido para quem quiser amar”. Este foi o slogan do projeto “Sexualidade e Ignorância”, desenvolvido por estudantes de Jornalismo da ECA através da Jornalismo Júnior. A ideia surgiu a partir de dois projetos: o “I, Too, Am Harvard”, da Universidade de Harvard, e o “#ahbrancodaumtempo”, da UnB, nos quais alunos negros registravam em cartazes o preconceito em frases que ouvem dentro da própria faculdade, tanto por colegas quanto por professores. A partir daí, o "Sexualidade e Ignorância" buscou pessoas homossexuais, bissexuais e transexuais e pediu para que elas escrevessem em cartazes as frases mais pesadas e preconceituosas que já lhes dirigiram.
 

A ideia tomou forma, e ganhou mais vontade ainda, após os alunos perceberem que, em meio às comemorações como Let’s Celebrate Pride e #LoveWins por conta da legalização do casamento de casais do mesmo gênero nos EUA, muitas pessoas ainda destilavam preconceito e intolerância aos grupos LGBT’s. O local escolhido para a apresentação dos cartazes às pessoas foi a Avenida Paulista. “Fizemos um evento no facebook com poucas pessoas. Mas nossa intenção sempre foi buscar cada um nas ruas. Como tivemos pouco tempo para a captação, escolhemos um local movimentado com pessoas que topassem fazer parte do projeto na hora, pois se interessaram pelos jovens com cartazes e câmeras nas mãos no Vão Livre do Masp”, diz Carolina Tiemi, uma das idealizadoras do projeto.

Quando abordam o preconceito com as diferentes orientações sexuais, os alunos tentam mostrar que falam de seres humanos que amam e são discriminados e julgados justamente por não amar do modo “padrão’ – padrão este que fere e mata. “Enquanto eu fotografava duas meninas com seus cartazes, um homem passou e, com um olhar maldoso, sujo e malicioso, disse: “Vai rolar peitinhos depois?”. Isso enojou a nós três, que estávamos no meio da rua lutando por uma causa”, relata Carolina. “Mas isso também fez com que muitos héteros normativos quisessem participar, dando mensagens de apoio ao grupo e condenando a homofobia, bifobia e transfobia”, complementa.

Os alunos tiveram certo receio das pessoas não entenderem que não era quem segurava o cartaz que dizia, mas sim já havia ouvido aquelas aberrações. Mas a mensagem foi passada. “Percebemos que quando segurávamos o cartaz com as próprias frases as pessoas olhavam mais”, relata Natalie Majolo, outra idealizadora e aluna de Jornalismo da ECA. “O amor é que move o mundo. Quando nos inibimos de amarmos uns aos outros, não somos verdadeiramente humanos. O que vemos por aí é ódio. Às vezes as pessoas estão cegas de ódio e não conseguem ver o quanto suas palavras estão carregadas de coisas ruins e o quanto elas fazem mal, não somente ao alvo delas, mas também ao mundo. Acredito que a galeria demonstra como essas palavras de ódio machucam aqueles que só querem ser humanos”, finaliza. 

Veja a galeria completa em Jornalismo Júnior/ECA-USP

texto: Felipe Ruiz
fotos: Jornalismo Júnior.