Livro analisa poemas clássicos luso-brasileiros

Lançada este ano, a obra resulta de parceria entre professor da ECA e pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia
 

Quem nunca ouviu falar de Os Lusíadas (1572), famosa épica de Luís de Camões, ou de O Uruguai (1769), do poeta Basílio da Gama? Valorizados mundialmente por sua importância histórica e literária, esses e outros poemas menos difundidos ganham nova análise no livro recém-lançado Estudos sobre a épica luso-brasileira – séculos XVI-XVIII.

Desenvolvido por meio da colaboração entre os professores Jean Pierre Chauvin, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), e Cleber Vinicius do Amaral Felipe, integrante do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o livro é fruto de anos de pesquisa e propõe uma reflexão aprofundada sobre seis epopeias luso-brasileiras, algumas nem sempre lembradas, como O Naufrágio de Sepúlveda (1594), de Jerônimo Corte-Real, e A Conquista de Goa (1759), de Francisco de Pina e Melo. 

Existindo desde antes dos gregos e latinos, as epopeias são conhecidas por suas narrativas heroicas e grandiosas sobre acontecimentos passados e são objetos de estudo de críticos literários e historiadores há anos. No livro Estudos sobre a épica luso-brasileira elas são tratadas de forma didática, por meio de linguagem acessível e com base em grande bibliografia. Segundo Chauvin, a pesquisa seguiu “as preceptivas retóricas antigas, medievais e modernas; os modelos imitados pelos poetas ao compor epopeias; a adequação entre o teor dos poemas e o estilo adequado à matéria dos versos”.

Cada autor analisou três obras. Caramuru (1781), de Santa Rita Durão, é a favorita do professor ecano. O poema narra um suposto naufrágio de um grupo de conquistadores no início do século XVI. No entanto, sua importância vai além do mero relato histórico ao apresentar a visão do colonizador sobre as guerras e conquistas do período colonial. “Em todos eles [poemas] está subjacente a premissa de que a religião católica é única; de que as atrocidades cometidas pelos ‘conquistadores’ portugueses seriam justificáveis graças à promoção da ‘guerra justa’ pelos europeus – que se consideravam ‘naturalmente’ superiores aos habitantes nativos dos territórios que ‘descobriram’ ”.

Para Chauvin, é fundamental propor a discussão dessas obras em um país que ainda possui baixos índices de leitura, como é o caso do Brasil. “Em tempos de negacionismo da ciência, apagamento do passado e questionamento do papel dos professores, jornalistas, intelectuais e artistas, penso que se trata de uma tentativa de resistência. Portanto, há interesse histórico, cultural e temático nesses textos”, conclui o pesquisador.

Estudos sobre a épica luso-brasileira – séculos XVI-XVIII pode ser adquirido pelas redes da Fonte Editorial por R$ 46,90. Saiba mais sobre o livro, as obras analisadas e o processo de pesquisa nesta reportagem do Jornal da USP

 

Imagem do livro estudos sobre a épica luso-brasileira Livro Estudos sobre a épica luso-brasileira (séculos XVI-XVIII). Foto: Divulgação/Fonte Editorial