Memórias Ecanas: 11 anos contando histórias

O projeto Memórias Ecanas, desenvolvido por alunos do 6º semestre de Relações Públicas e coordenado pelo professor Paulo Nassar, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), divulgou recentemente os 14 depoimentos em vídeo produzidos pela turma em 2017, nos quais ex-alunos, professores e funcionários contam histórias que viveram na ECA e exploram suas relações com a Escola.

Neste ano, foram entrevistadas personalidades como a cantora Ana Cañas, que conta que, durante a faculdade, esteve mais envolvida com a música do que com a graduação em Artes Cênicas; o cineasta Daniel Ribeiro, que revela algumas lendas do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) e fala sobre seu curta Café com Leite, surgido em seu TCC, e sua aproximação com o cinema LGBT; e o jornalista e youtuber Iberê Thenório, que comenta sobre sua participação no Projeto Redigir e o início de seu canal, Manual do Mundo. Também dividem suas histórias a funcionária Lourdinha Bianchi, do Laboratório Agência de Comunicação (LAC), e a professora Ana Torezan, do CRP, entre outros.

Nascido em 2006, o projeto Memórias Ecanas tem o intuito de resgatar memórias e narrativas da ECA, “aumentando o sentimento de pertencimento dos alunos e incentivando o orgulho pela Escola”, conforme explica Paulo Nassar. Com 11 anos de história e quase 600 vídeos disponíveis no YouTube atualmente, “das pessoas mais simples até as mais notáveis”, o docente afirma que o projeto “inovou a produção audiovisual no país, dentro do ambiente de Relações Públicas”, especialmente no que diz respeito à tecnologia aplicada para a realização dos vídeos, “extremamente leve e conveniente”.

Segundo Nassar, os vídeos tendem, por exemplo, a serem gravados com smartphones e editados em programas livres e disponíveis na internet. “O projeto tem uma potência muito grande, mas é uma armadilha você tentar sofisticar o projeto em termos tecnológicos,” pontua. “Essa forma simples de pensar o audiovisual também está relacionada à capacidade que o aluno tem de aprender rapidamente técnicas de captação e edição e ao tempo hábil para se dedicar completamente ao projeto”.

O docente comenta que, no começo, “o projeto era visto como uma brincadeira audiovisual, porque ainda não havia compreensão sobre a importância da memória”, mas que hoje ele já tem um reconhecimento maior, sendo atualmente, pelos procedimentos conceituais e quantidade de vídeos, o maior projeto ligado à memória no Brasil. Além disso, o Memórias Ecanas foi influente para o estabelecimento de atividades semelhantes em duas universidades inglesas, assim como em escolas em nível médio e universidades no Brasil.

“Depois de 11 anos como gestor do projeto, eu começo a ver a ECA em uma perspectiva mais profunda, entendendo que aquilo que é produzido dentro da Escola também tem impacto na sociedade e notando como os vídeos expressam a trajetória de vida dos entrevistados,” afirma Nassar. Além disso, o docente revela ainda que o Memórias Ecanas possibilitou, durante tantos anos contando histórias, uma massa de dados muito grande, que ainda estão sendo categorizados e analisados, mas já revelam um mapa da ECA a partir de seus ritos e rituais, de seus heróis e anti heróis e de seus mitos. “Começamos a ter uma cartografia simbólica da ECA,” pontua. “É um projeto que começou de forma pragmática, pensando o audiovisual em uma outra perspectiva, e que hoje ganhou toda essa densidade”.

Além de todas essas questões, o Memórias Ecanas tem, ainda, impacto na formação dos alunos, ao possibilitar uma união entre teoria e prática. Victor Rocha, aluno integrante do grupo que entrevistou Daniel Ribeiro, afirma que o período de gravação foi muito enriquecedor. Victor conta ainda que “ouvir sobre uma ECA que eu não conhecia e sobre a trajetória dele e seus objetivos como cineasta foi um ótimo aprendizado”. “Em Relações Públicas, nós estudamos bastante a importância do storytelling e das relações que as pessoas criam nos lugares em que passam,” comenta Victor. “Realizar esse projeto é poder deixar uma marca importante nesta faculdade onde eu vivo grandes experiências, como um gesto de agradecimento”.

Todos os vídeos do projeto podem ser acessados aqui. No dia 28 de novembro, a partir das 19h, ocorre o Festival Ecannes, em que alunos, professores e funcionários da ECA, assim como os entrevistados, se reunirão para assistir os vídeos e celebrar o final de mais um ano na história do projeto.

Texto: Victória Martins
Foto de capa: Youtube