Professor Carlos Augusto Calil participa de audiência do Congresso sobre crise na Cinemateca Brasileira

Docente do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) é o novo presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca 

 

Totalmente fechada desde julho do ano passado, e já bastante prejudicada em suas atividades por uma crise que se arrasta pelo menos desde 2013, a Cinemateca Brasileira vive a situação mais alarmante de sua história, com seu acervo de mais de 240 mil rolos de película e 41 mil títulos interditado à pesquisa, à difusão, ao restauro e – o mais grave – sob constante risco de deterioração por falta de manutenção adequada.

O compromisso estabelecido publicamente, em dezembro de 2020, pelo Secretário Especial de Cultura (cargo criado após a extinção do Ministério da Cultura pelo governo Bolsonaro), Mario Frias, de reabrir o acervo e passar a gestão da Cinemateca temporariaremente para a Sociedade Amigos da Cinemateca, como etapa de transição para um novo modelo administrativo, foi descumprido. A reabertura e a transferência de gestão deveriam ter sido efetivadas em 12 de janeiro, mas, passados três meses, ainda não há aceno nesse sentido.

Dada a gravidade da situação, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, atendendo a uma solicitação da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), promoveu no dia 12 de abril uma audiência pública extraordinária para que fosse explicado ao Congresso e à sociedade o estado atual da Cinemateca Brasileira e o que está sendo feito – ou não – para implementar as mudanças anunciadas.

O evento marcou a primeira atuação pública do professor Carlos Augusto Calil, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), como presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, cargo no qual foi empossado há pouco mais de um mês. Seus vínculos com a instituição e com as políticas públicas para o fomento e preservação do audiovisual, contudo, são bem anteriores: foi diretor da Cinemateca de 1987 a 1992, diretor do Centro Cultural São Paulo entre 2001 e 2004, diretor da Embrafilme de 1979 a 1986 e Secretário Municipal de Cultura de São Paulo entre 2005 e 2012. 

A audiência, que reuniu parlamentares, o Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura e o diretor do Departamento de Políticas Audiovisuais da Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal, também teve como convidados os cineastas Silvio Tendler, Cacá Diegues e Roberto Gervitz (coordenador da iniciativa “SOS Cinemateca” da Associação Paulista de Cineastas) e Gabriela Sousa de Queiroz, ex-funcionária da Cinemateca.

Em sua fala perante os membros do Congresso Nacional, os representantes do Executivo e os colegas do setor audiovisual, o professor Calil foi enfático: “a Cinemateca está em coma, respirando por aparelhos”.

A íntegra da audiência pública extraordinária da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados sobre a Cinemateca Brasileira está disponível no canal da Câmara no YouTube

 

Manifestação em prol da Cinemateca Brasileira

Cineastas, produtores, funcionários e cinéfilos pedem socorro à Cinemateca em manifestação realizada no dia 4 de julho de 2020. Foto: Tiago Queiroz /Estadão

 

Crise da Cinemateca já foi tema do ECA Debate e de artigo no Jornal da USP 

No ano passado, a crise da Cinemateca Brasileira foi tema de uma edição da série ECA Debate, que contou com a participação do cineasta Roberto Gervitz e mediação do professor Eduardo Morettin, também do CTR. O docente também assinou um artigo no Jornal da USP sobre as consequências da crise para a preservação do patrimônio audiovisual nacional e a luta de trabalhadores, pesquisadores e cineastas em prol da instituição. 

Em agosto de 2020, a Congregação da ECA publicou uma moção de apoio à Cinemateca Brasileira, manifestando preocupação diante da ausência de medidas do governo federal para solucionar a crise. 

 

Com informações do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR)