Revista Música: artigo aborda como a música pode reduzir emoções negativas

O estudo sobre a relação entre estado de ânimo e música aponta essa arte como uma medida para combater emoções negativas, em especial os impactos psicológicos causados pela pandemia

 

Como acontece com os cheiros, existem músicas específicas que nos fazem lembrar de uma pessoa, de um momento marcante ou de um lugar. Através da música encontramos e nos identificamos com uma parcela de nossa identidade e de nossa cultura. Além da relação íntima com o dia a dia, a música também tem espaço na área da saúde, na qual se utilizam os efeitos positivos dessa arte para promover o bem-estar e a melhora de pacientes.

Esse tema é explorado no artigo O uso da música para a regulação do estado de ânimo no período pós-covid-19, escrito por João Fortunato Soares, Alberto Joaquim Gouveia e Ivo Freitas Santana, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e Carmen María Román-Torres, da Universidad de Granada (UGR), na Espanha. Publicado na última edição da Revista Música, o estudo partiu de uma extensa pesquisa bibliográfica sobre o conceito de estado de ânimo, assim como de suas relações com a música. 

O artigo revela que estilos musicais como o dance, a música clássica e o rap são capazes de instigar estados de ânimo positivos. Da mesma forma, “a participação em atividades de escuta ou performance musicais, tanto individual ou coletivamente, pode favorecer a redução de emoções negativas (como ansiedade e depressão) e, consequentemente, melhorar o estado de ânimo”. No artigo, a relação de regulação do estado de ânimo é analisada levando em consideração os  impactos  psicológicos  negativos  causados pela pandemia de covid-19. Diante de tantos meses marcados por insegurança e incerteza sobre o futuro, a música se torna uma “medida de grande eficácia e de baixo custo para a incitação de estados de ânimo positivos, proporcionando consequentemente uma melhoria na sensação de bem-estar e na qualidade de vida das pessoas”.

 

Última edição traz o dossiê Música em Quarentena

Além desse artigo, a última edição da Revista Música traz o dossiê Música em Quarentena, com reflexões sobre as atividades musicais de caráter pedagógico, artístico e terapêutico realizadas durantes os meses de isolamento social; traduções dos textos Etnomusicologia, de Jean-Jacques  Nattiez, e Sacro e profano na música, do musicólogo grego Thrasybulos Georgiades; e, por último, o relato do compositor mineiro Harry Lamott Crowl, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sobre a composição de Corona, seu Quarteto de cordas nº 3, com coro SATB, mais a partitura da obra.

A Revista Música é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMUS). Para conferir na íntegra a última edição, acesse o Portal de Revistas da USP.

Confira também a entrevista realizada pelo Jornal da USP com o professor Paulo de Tarso Salles, do Departamento de Música (CMU), editor responsável pela revista.

 

Imagem: Vinzent Weinbeer / Pixabay