Estudantes da ECA são premiados no Fade to Black Festival

O Fade to Black Festival é um evento do audiovisual com enfoque na divulgação e premiação de narrativas criadas por pessoas negras

 

A primeira edição do Fade to Black Festival, ocorrida entre os dias 6 e 10 de abril, marca a potência de um evento que premia e celebra produções de artistas negros diversos, além de permitir diálogos entre cineastas, roteiristas e produtores negros do mundo todo. Realizado com recursos da Lei Aldir Blanc, o festival teve atividades integralmente on-line e contou com uma Mostra de Curtas-Metragens, Concurso de Roteiro, Laboratório para Roteiristas e 30 painéis de discussão com nomes nacionais e internacionais, incluindo a atriz Zezé Mota e o músico e empresário Evandro Fióti. 

Yago Matheus, estudante do Departamento de Cinema, Rádio, e Televisão (CTR), conquistou com seu projeto Grama Alta o terceiro lugar do Concurso de Roteiro na categoria Melhor Roteiro de Longa-Metragem. Já Arão da Silva, também do CTR, venceu na categoria Melhor Direção da Mostra de Curtas, com o filme Lua, Mar.  Um dos premiados do Programa Nascente em 2019, Lua, Mar reflete as dificuldades e conflitos que o próprio Arão, jovem periférico, enfrentou ao adentrar a vida acadêmica. 

Segundo Yago, pensar a conjuntura política atual e a necessidade de articulações que dêem base para os profissionais do audiovisusal é muito necessário, daí a importância de iniciativas como o Fade to Black Festival. Ele ainda descreve o evento como “um ato contra o desmanche da cultura e a desvalorização do audiovisual empregado pelo atual governo, reafirmando os profissionais negros extremamente competentes que estão dispostos a continuarem produzindo e contando histórias nesse momento obscuro”.

 

 

Logo Fade to Black Festival

 

A representatividade negra precisa avançar na frente e atrás das câmeras

No Brasil, cinquenta e quatro por cento da população é composta por pessoas negras, segundo dados do IBGE, e no mercado audiovisual a presença de pessoas negras é muito reduzida. A pesquisa Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016, divulgada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), mostra que nos filmes nacionais lançados em 2016, apenas 2,1% dos diretores e dos roteiristas são negros. As estatísticas para as mulheres negras são ainda mais alarmantes, já que elas não aparecem nem como diretoras nem como roteiristas.

“Hoje, com a discussão mais acalorada, questiona-se a falta de representação negra nas telas, enquanto que a equipe por trás das câmeras ainda não ganha tanta importância. Como esperar diversidade se o imaginário coletivo está sendo construído somente por pessoas brancas?”, questiona Dennys de Souza Queiroz, estudante do CTR que foi assistente de direção do festival. “A gente tem capacidade de chegar em qualquer lugar, o que falta é oportunidade. Não dá para conseguir a presença de Evandro Fióti e Zezé Motta num festival inédito sem que te dêem oportunidade”, completa.