Projeto da USP reúne música e tecnologia

 

O grupo de pesquisa MOBILE: Processos Musicais Interativos nasceu em 2009 na ECA, tendo como objetivo a utilização e o desenvolvimento de processos interativos aliados à produção musical mediada tecnologicamente. Dentro do MOBILE, a meta é alcançar um equilíbrio entre a produção teórica e artística, tornando possível o desenvolvimento de trabalhos de criação.
 
 Fernando Iazzetta, professor do Departamento de Música (CMU) da ECA e coordenador do grupo, fala sobre a dimensão do projeto . “Antes do MOBILE, a gente teve um grupo chamado AcMus, que era um projeto temático, com duração de 4 anos. Ele era voltado para a acústica de salas”, conta. Com o fim do grupo, o MOBILE foi criado com a intenção de ser um projeto mais voltado para as artes, com grande parte dos integrantes originais do AcMus. Segundo Iazzetta, participam hoje do grupo diversos músicos, profissionais de computação, artistas e pesquisadores das artes visuais, além de parceiros ocasionais de outras áreas artísticas, como teatro e dança.
Os trabalhos do grupo se dividem em quatro linhas de pesquisa: sonologia; desenvolvimento de sistemas interativos; produção artística com sistemas interativos; e acústica musical, psicoacústica e auralização.
 
 
 
Cena do espetáculo Por trás das Coisas, do grupo Mobile
(foto: Guilherme Tosetto)
 
A sonologia, dentro do projeto, está ligada aos trabalhos de maior fundamentação teórica e conceitual, concentrando-se nos processos interativos de produção musical. O principal objetivo da linha de pesquisa é realizar uma investigação crítica e teórica das características da interação musical. Ela também abrange o estudo da gestualidade aplicada à performance musical.
O desenvolvimento de sistemas interativos trata da criação de sistemas musicais baseados em processos interativos. “O projeto trabalha com arte experimental. É uma arte que está preocupada conceitualmente com questões contemporâneas, mas também com uma experimentação com a própria linguagem artística”, afirma Iazzetta. Segundo ele, grande parte da mediação tecnológica realizada é feita através de softwares ou aparelhos desenvolvidos pelos próprios integrantes do grupo, para utilização em diferentes linhas de pesquisa.
A criação acontece dentro da linha de pesquisa de produção artística com sistemas interativos. Nela, são explorados conceitos e procedimentos interativos, através da utilização de sistemas desenvolvidos pelos membros do projeto.
 
A quarta linha de pesquisa está relacionada ao desenvolvimento de projetos na área da acústica musical e à auralização. Na parte de acústica musical, o foco está na produção e processamento sonoro.
A auralização é uma área que se preocupa em simular ambientes sonoros. “Quando se escuta um CD ou um iPod com fone de ouvido, você está ouvindo em estéreo. Essa é uma maneira de se mudar o espaço horizontal. É quando você ouve alguns instrumentos mais para um lado, outros mais para o outro”, conta Iazzetta. De acordo com ele, esse seria um tipo básico de auralização. Um experimento mais sofisticado poderia ser alcançado, por exemplo, em uma gravação que parecesse estar sendo reproduzida em diferentes posições, dentro de um determinado ambiente acústico.
 
Em junho deste ano, o grupo de pesquisa MOBILE organizou um concerto via internet, em parceria com o Sonic Arts Research Centre (Sarc), da Queen’s University, em Belfast. Os músicos realizaram suas performances em locais diferentes, com o auxílio de uma webcam. O grupo também organizou uma série de seminários com profissionais das áreas de música e tecnologia, alguns deles abertos ao público. O projeto é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
 
Confira abaixo o site do grupo: http://www.eca.usp.br/mobile

 
por Leonardo Maran 
Edição: André Chaves de Melo