Revista Significação: vídeos produzidos na periferia são agentes culturais de transformação

Artigo publicado na Significação: Revista de Cultura Audiovisual busca analisar essa transformação na produção de vídeos a partir dos anos 2000

 

As populações da periferia estão abrindo portas para uma participação ativa e representativa nos centros urbanos, na medida em que dividem o protagonismo com outros setores da sociedade e garantem uma presença marcante nos debates brasileiros contemporâneos. No artigo Narrativas audiovisuais da periferia e disputas culturais em busca do povo, publicado na Significação: Revista de Cultura Audiovisual, o pesquisador Wilq Vicente proporciona uma visão ampla sobre as narrativas visuais em vídeo realizadas pela população moradora fora dos centros urbanos. Segundo o texto, esses vídeos são meios de expressão de atuação social, na “reivindicação do protagonismo popular […], viabilizado mediante sua produção cultural”. 

O autor afirma que é fundamental, para o entendimento de uma “política da representação”, colocar em pauta as questões: quem produz os vídeos? Qual a proposta dos autores? Qual é o público-alvo? Quais as “forças políticas envolvidas”? Como esses vídeos e seus autores interagem com “outras esferas de produção cultural” e como se integram no mundo das narrativas visuais em geral? Segundo Wilq Vicente, a questão “nossa realidade representada por nós mesmos” é abordada de diversas maneiras, tanto por coletivos nascidos em ONGs quanto em “produções independentes de coletivos artísticos da periferia”. São citadas iniciativas artísticas e vídeos como Videolência, cujo propósito é discutir as qualidades e os padrões das realizações audiovisuais das periferias.

 

Crianças observam enquanto mulher realiza filmagem em cima de laje

A realizadora audiovisual mineira Gabriela Matos, da Renca Produções. Foto: jornal O Tempo. 

 

Hoje, reconhece-se o audiovisual como instrumento de formação, de interação social e de cidadania, com o objetivo de motivar a “’diversidade cultural’, termo difundido pela Unesco a partir dos anos 1990. O autor ressalta a contribuição das primeiras provedoras de acesso gratuito à internet, em 2000, e da eclosão da banda larga, “permitindo pela primeira vez a transmissão de vídeo”, que se disseminou completamente com o Orkut e o YouTube a partir de 2007.

As produções audiovisuais atuais são participativas, coletivas, narram histórias reais e são realizadas com mão de obra local, contando com a criação de empresas de cinema para estimular as narrativas, assim estabelecendo elos com as comunidades e passando a ser vistas “como agentes culturais de transformação”. O audiovisual protagonizou um papel vital de “registro e difusão das lutas, da memória coletiva e do imaginário popular”, inexistentes nos meios dominantes, tornando-se um meio poderoso de mostrar e denunciar, às claras, a desigualdade e a injustiça social, de criar e vivenciar novas narrativas, “que são ao mesmo tempo estéticas e políticas”, e divulgá-las, revelando e relatando uma realidade que “a narrativa oficial e os discursos conservadores em voga buscam suprimir”.

Leia a reportagem completa publicada no Jornal da USP.

 

Texto: Margareth Arthur/ Revistas da USP 
Com informações do Jornal da USP 

 

Revista Significação

Com periodicidade semestral, a Significação – Revista de Cultura Audiovisual publica artigos e resenhas dedicados ao estudo dos meios e processos audiovisuais e dos sistemas digitais, pensando-os em sua diversidade de práticas e de ideias que envolvem os seus processos específicos de reflexão, criação, produção e difusão.

Além do artigo de Wilq Vicente, o número 55 do periódico traz, entre outros, os artigos A tradição da vítima revisitada, de Gustavo Souza; Se Eu Fosse Você: espaços limiares de gênero e sexualidade, de Roberta Gregoli; e Filmes de Prédio: espaço, arquitetura e heterotopia em filmes, de Maria Helena Braga e Vaz da Costa. 

A edição completa está disponível para download gratuito no Portal de Revista da USP